Em 1985, a DC Comics lançou a minissérie em 12 edições Crise nas Infinitas Terras. A saga foi criada para acabar com a cronologia confusa de décadas e com a ideia das terras paralelas do Universo DC. Ao término dela, só uma terra existia e a origem de todos os heróis foi atualizada e recontada. A de Batman aconteceu no famoso arco de histórias Batman - Ano Um, escrita por Frank Miller, nas edições 404 a 407 de seu título mensal nos Estados Unidos. Já o Superman foi totalmente revitalizado pelas mãos de John Byrne na minissérie The Man of Steel, com desenhos de Dick Giordano. Com personalidades bem diferentes das da Era de Ouro, a nova versão do primeiro encontro dos dois, que aconteceu na terceira edição do arco, não foi amistosa como a anterior.
Batman está em Gotham City caçando uma vilã quando sua corda é puxada por Superman, que queria prendê-lo por suas atividades ilegais de vigilante. Sabendo que esse encontro podia acontecer um dia, o Homem-Morcego diz que se o kryptoniano tocar nele, uma explosão acontecerá em algum ponto de Gotham matando um inocente.
Sem escolhas, o alter-ego de Clark Kent ajuda o morcego em sua caçada. Após a vilã ser presa, Superman descobre que Batman mentiu parcialmente e que a única vida em risco era a dele mesmo. Assim, mesmo contrariado, o Homem de Aço adquire um pouco de respeito e o deixa em paz. Bruce o vê partindo e lamenta que não possa chamá-lo de amigo.
A história enfatiza a diferença entre um e outro. Um representava a luz e a esperança. Outro, a frieza e o pessimismo adquirido pelo assassinato dos pais. Obviamente, mais tarde ambos viraram amigos e atuaram juntos diversas vezes e também na Liga da Justiça.
A trama se passa no período conhecido como Era de Bronze dos quadrinhos norte-americanos. Nessa época, o comics code authority (Código de Ética dos quadrinhos americanos) estava em declínio. A inocência criada na Era de Prata deu lugar a tramas com elementos mais pesados como drogas, guerras e questões sociais que eram debatidas na época. Mesmo os que não traziam esses temas acabavam mostrando personagens com mais toques de realismo em seus comportamentos.
Assim, Byrne e Miller deram comportamentos totalmente diferentes e bem definidos aos dois heróis no período Pós-Crise. Eles se respeitavam mutuamente, mas um desaprovava os métodos do outro. Suas aventuras conjuntas retornaram com Superman/Batman, publicada entre 2003 e 2011. Jeph Loeb escreveu os 25 primeiros números, mas saiu depois. A série terminou na edição 87. O primeiro arco da revista - Inimigos Públicos - virou animação em 2009.
Novos 52 e novo primeiro encontro:
Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr. Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?