Conan, o bárbaro e o enigma do aço: sobre o filme de John Milius (1982)

Conan, o bárbaro e o enigma do aço: sobre o filme de John Milius (1982)

Observando atentamente, é evidente que o filme exaltou a belicosidade do bárbaro Conan de Howard, tão bem esboçada nos textos literários pulps dos anos 1930, ainda que muito da personalidade complexa do personagem (situada entre momentos de alegria, exaltação e melancolia) tenha se tornado bidimensional e simplificada na produção de 1982, em torno de uma vingança pessoal contra aqueles que mataram os cimérios, seu povo e seus familiares.

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Como A Queda de Murdock redimiu a (já finada) série do Demolidor

Como A Queda de Murdock redimiu a (já finada) série do Demolidor

Quando o artista e roteirista Frank Miller se reuniu ao sofisticado ilustrador David Mazzucchelli em 1986 para reassumir, por sete breves edições, as histórias do Demolidor nos quadrinhos da Marvel, ele era o nome mais quente dos quadrinhos de super-heróis. Também pudera: havia acabado de publicar, na DC, o Cavaleiro das Trevas, perspectiva distópica e violenta sobre o Batman, que redefiniria a própria mídia das HQs para sempre.

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DRUUNA: PRAZERES ROUBADOS

DRUUNA: PRAZERES ROUBADOS

Cada quadro de Drunna explode em imagens de realismo exuberante. Seu domínio do claro-escuro por meio de inconfundíveis tramas de hachuras é algo único – como evidencia o rico e indispensável caderno de extras. E a destreza no uso da aquarela, bem como a primorosa escolha da paleta de cores – sempre em função da atmosfera narrativa – deveriam ser suficientes para proibir o vulgar uso de Photoshop na colorização de quadrinhos. As páginas de Serpieri são puro deleite visual – que finalmente ganham edição à altura no Brasil.

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Arte, horror e vanguarda nos quadrinhos de Bernie Kriegstein

Arte, horror e vanguarda nos quadrinhos de Bernie Kriegstein

Talvez você não conheça o legado da EC Comics, a lendária editora americana que, na ressaca da Segunda Guerra Mundial, elevou o jogo das então nascentes revistas em quadrinhos para outro patamar. Quando os gibis de super-herói pareciam perder parte de sua popularidade (dada a crise moral do pós-guerra), o editor William M. Gaines procurou trazer uma visão mais adulta e apelativa (beirando o que hoje chamamos de exploitation) para os comic books. Floresceram gêneros como crime, horror, ficção científica e guerra. Novos caminhos estavam sendo apontados.

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Paciência: uma viagem cósmica rumo ao amor eterno ou à obsessão?

Paciência: uma viagem cósmica rumo ao amor eterno ou à obsessão?

Exímio artista gráfico – conforme já havia me convencido em Wilson (Cia das Letras, 2012) e Eightball (Fantagraphics, 2015) – Clowes está ainda mais explosivo nesse quadrinho, com cores vibrantes, ângulos instigantes e estouros de violência. Em alguns momentos, ponderei se estava diante de um quadrinho frenético de terror, cheio de drama e suspense.

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Bilal: desenhista solteiro à procura de escritor desimpedido

Bilal: desenhista solteiro à procura de escritor desimpedido

A coisa muda de figura quando Bilal está acompanhado por outros escritores. É inegável que a qualidade de sua obra aumenta substancialmente quando divide o trabalho. Talvez isso ocorra porque seus parceiros de aventura sejam mais hábeis em filtrar e transmitir os pensamentos que habitam a mente do velho mestre. Peguemos, por exemplo, o Exterminador 17 (1979), feito com o também francês Jean-Pierre Dionnet. A saga do androide que, ao parar de funcionar, recebe uma alma humana transmigrada, é rica em existencialismo – tema favorito de Bilal – e contada de uma maneira sublime, de uma forma mais sofisticada que nas obras do desenhista quando em carreira solo.

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Por que o Hulk é o meu personagem favorito criado por Stan Lee?

Por que o Hulk é o meu personagem favorito criado por Stan Lee?

No Hulk, essa simplificação ocorre de maneira verdadeiramente direta, e proposital, mas o produto gerado não é um vigilante impulsionado por um senso de dever, e sim um problema que angustia perturbadoramente o seu protagonista. A dicotomia é transformada em ambiguidade: de um lado temos Bruce Banner, um tímido, porém arrogante e seguro, cientista. Figura complexada e culpada. De outro, uma abominação onipotente e incontrolável, que representa seu instinto de sobrevivência, face à tentação autodestrutiva que domina seu alter ego. Nunca antes, em uma cultura de massas, aspectos de uma cisão freudiana do ego haviam sido colocadas de maneira tão simples e clara.

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