Paralelas: Império x Imperdoável

Paralelas: Império x Imperdoável

O objetivo da seção Paralelas é tecer comparações entre dois gibis. A ligação entre ambos pode ser de qualquer tipo ou natureza. Pode, inclusive, não ter relação nenhuma. Se o raiuka (apelido carinhoso para os escribas da Raio Laser) da vez quiser falar sobre Luluzinha junto com Corto Maltese, por exemplo, não será admoestado pelos coleguinhas. Bem, para a coluna de hoje escolhi dois títulos que sempre tive grande curiosidade de ler: Império (Mythos, 2017) e Imperdoável (Devir, 2018), ambas do argumentista Mark Waid. O ponto de contato entre as publicações é o twist dado pelo autor nas clássicas histórias de super-heróis. Em Império temos uma realidade em que o vilão venceu. Já em Imperdoável encontramos um mundo no qual o Superman local perdeu as estribeiras e passou para o lado dos malvados. Quais seriam as semelhanças e diferenças entre as tramas? Será que as temáticas escolhidas têm fôlego para segurar o formato minissérie/série mensal? E, mais importante que isso, será que alguém ainda se importa com gibis de superheróis?

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OS SERTÕES E KARDEC: DUAS (RE)ENCARNAÇÕES DE CARLOS FERREIRA E RODRIGO ROSA

OS SERTÕES E KARDEC: DUAS (RE)ENCARNAÇÕES DE CARLOS FERREIRA E RODRIGO ROSA

As editoras lutavam (e seguem lutando) por seu quinhão. Todos estavam interessados em ter algum título selecionado – o que implicava em um sensível aumento da tiragem para atender à compra do governo. O resultado foi um boom de adaptações. Obviamente, efeitos colaterais se fizeram sentir: uma considerável quantidade de picaretagem caça-níquel foi publicada. Graças ao talento da dupla gaúcha Carlos Ferreira (roteiro) e Rodrigo Rosa (desenhos), Os Sertões: A Luta – novela gráfica gestada a partir do seminal livro de Euclides da Cunha – não engrossa este amargo caldo. Muito pelo contrário.

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SUPER-HERÓIS, ARTE E CRIVELLA: LINHAS CRUZADAS

SUPER-HERÓIS, ARTE E CRIVELLA: LINHAS CRUZADAS

Num destes complexos fenômenos que surgem nas fissuras das dinâmicas sociais, o gibi da Marvel tornou-se resistência. Foi encampado pela comunidade LGBT como símbolo e instrumento de luta. Também tem sido usado por aqueles que se opõem à censura – que, em velocidade vertiginosa, vem colocando as sujas manguinhas de fora. E segue adiante, como nesta imagem criada por um morador do Rio, onde o casal gay da HQ foi colocado num buraco de rua em clara provocação ao prefeito Crivella, desafiando-o a resolver – com a mesma urgência e determinação mostradas em relação ao gibi – um problema real da cidade.

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Contundente quadrinho de Singapura remete a Maus e Watchmen

Contundente quadrinho de Singapura remete a Maus e Watchmen

Uma coisa que sempre me impressionou no fundamental Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, foi a sua total plurivocalidade. O que quer dizer isso? Ora, isso vem do grande crítico russo Mikhail Bakhtin, na primeira metade do século 20, que anunciou que a literatura não se limita ao texto do romance, mas a todo o imaginário impregnado na cultura de seus autores, nas informações que trazem os leitores e nos diálogos entre as obras (e isso inclui a crítica).

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Voodoo Child, de Bill Sienkiewicz: a história de dois magos

Voodoo Child, de Bill Sienkiewicz: a história de dois magos

A música e os quadrinhos já estiveram entrelaçados durante vários momentos. Impossível ler, por exemplo, as várias minisséries do universo de Sin City, de Frank Miller, e não pensar em jazz ou rock n’ roll dos anos 50, quando a televisão era em preto e branco. Ou as histórias em quadrinhos do Homem Aranha da década de 70, onde todos usavam roupas coloridas e calças boca de sino, parecendo curtir sucessos de Led Zeppelin ou a disco music do Earth, Wind and Fire. Mas no fim dos anos 60 surgiu algo mais colorido, sonoro e incontrolável do que tudo isso: a música e a figura de Jimi Hendrix. E Hendrix virou uma graphic novel de 128 páginas, pintada por um nome único e conhecido por todo mundo que é fã de histórias em quadrinhos: Bill Sienkiewicz. Um verdadeiro manifesto artístico e um tributo amoroso desse artista ao maior guitarrista da história do rock.

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Fun Home, autoficção de Alison Bechdel, é uma obra-prima sobre sexualidade e morte

Fun Home, autoficção de Alison Bechdel, é uma obra-prima sobre sexualidade e morte

“O fim da mentira dele foi o início da minha verdade”. Esta frase, presente no romance gráfico Fun Home – Uma Tragicomédia em Família, da autora Alison Bechdel, pode resumir bem as intenções que circundam esse denso e cultuado quadrinho. Relançado em 2018 no Brasil pela editora Todavia, ele é um marco em certa intelectualização da mídia, e trouxe matizes mais contrastadas ao gênero da autobiografia. 

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Paralelas: Inuyashiki x Parasyte

Paralelas: Inuyashiki x Parasyte

A ideia desta nova seção é comparar obras que podem ter passado despercebidas pelo grande público. Especialmente porque – dado o atual cenário do mercado brasileiro de gibis, caracterizado por uma enxurrada de títulos nas bancas e livrarias – nem sempre é possível acompanhar tudo que está acontecendo, seja por falta de grana, tempo ou especialmente porque a revista em questão desapareceu sem deixar maiores vestígios. Os títulos escolhidos podem ou não ter pertinência temática. Serão de qualquer tipo, lugar ou época. O escriba Raio Laser da vez é quem definirá qual será a relação entre as obras.

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