Lasercast #88 - Jerusalém: Pretensão e genialidade na obra máxima de Moore

Recentemente lançada no Brasil pela editora Veneta, Jerusalém é uma obra ambiciosa em todos os sentidos, principalmente por sua extensão (mais de 1200 páginas!) ou por sua pretensão literária. Espécie de autobiografia ficcional de Alan Moore, Jerusalém trabalha com uma enormidade de assuntos. Tantos que é praticamente impossível mencioná-los em sua integralidade. De forma geral, pode-se dizer que o livro trata de temas caros a Moore e que já foram abordados em obras anteriores do barbudão, como o eternalismo, a crítica ao capitalismo, a loucura e o ocultismo.

"Poster de Jerusalém", com ilustração do próprio Moore, dando vários "spoilers" do livro.

Entretanto, dentre todos esses, o destaque fica por conta da cidade natal de Moore: Northampton. Espécie de declaração de amor à cidade, Jerusalém é uma narrativa que evoca a magia e a mitologia da cidade, pontuando diversos momentos trágicos e curiosos do local que, para Moore, é um marco religioso e político não apenas para a Inglaterra, mas para o mundo inteiro. A inter-relação quase parasítica entre habitantes e cidade é um assunto caro para Moore, que mostrará como ambos se influenciam reciprocamente, para o bem e para o mal. As várias gerações da família Moore (aqui renomeada de Warren/Vernall) são referências para momentos importantes da cidade, que envolverão viagem no tempo, vida após a morte, Isaac Newton, Jack o Estripador e Oliver Cromwell, entre outros.

No novo episódio do Lasercast tentamos destrinchar o livro, construindo – no melhor de nossas possibilidades – uma estrutura cronológica e buscando identificar a essência de um romance com temática praticamente infinita. Participam do papo Marcão Maciel, Márcio Paixão e o ser conhecido apenas como Chackall, leitor de Alan Moore desde quando Northampton era um vilarejo com 11 moradores.

Participam do episódio: Marcão Maciel, Márcio Jr. e Chackall

Edição: Eder Freire

"Capa do Box de Jerusalém" da Editora Knockabout, mesma utilizada pela Veneta. Como não podia deixar de ser, cheio de símbolos que só os "iniciados" entenderão.