LASERCAST #86 - RESENHÃO GERAL #15 LEITURAS EM ANDAMENTO
/Resenhar uma HQ antes de terminá-la pode parecer uma heresia — quase como interromper alguém no meio de uma boa história. Mas, convenhamos, há algo de fascinante nesse estado de suspensão: a HQ ainda não revelou todas as suas cartas, o autor ainda pode nos surpreender (ou decepcionar), e o leitor está num território em que a expectativa e a experiência convivem lado a lado. Falar sobre uma leitura em andamento é, portanto, discutir não apenas a obra, mas também a própria relação que se encontra em construção.
Afinal, quem nunca começou um livro com entusiasmo para deixá-lo repousando na pilha dos “em breve termino”? O abandono — temporário, que seja — de uma leitura não é sempre um fracasso: às vezes, é o livro que pede um tempo, que exige maturar na cabeça do leitor. Outras vezes, é o leitor que muda — de humor, de ritmo, de prioridades, nessa vida que nos atropela. E há algo de deliciosamente humano nesta curiosidade inquieta, frequentemente tentada pela próxima capa chamativa ou pela recomendação de um amigo… ou de um podcast.
Neste episódio, os raiúcas refletiram sobre essas situações enquanto apresentaram o que estão lendo atualmente. Falar antes de se chegar ao retângulinho de FIM é, no fundo, um exercício de confiança: acreditar que o caminho já diz muito sobre a jornada que o quadrinho nos propõe. (BP)
Participam do episódio: Bruno Porto, Lima Neto, Marcão Maciel, Márcio Jr. & Pedro Brandt.
Edição: Eder Freire.
Diamond Black Diamond (Panick Entertainment, 2025), de Brendan Columbus, Danilo Beyruth e Lee Loughridge.
Marvel Epic Collection n° 12 - Demolidor: Caindo em Desgraça (Panini, 2024) de D. G. Chichester e Scott McDaniel, tradução de Rodrigo Barros
Os Ogros-Deuses: Petit (Comix Zone, 2025) de Hubert e Bertrand Gatignol COM TRADUÇÃO DE fERNANDO pAZ
Patrulha do Destino por Rachel Pollack (Panini, 2025) de Rachel POLLACK e vários COM TRADUÇÃO DE Érico Assis
Ramirez Tem Que Morrer (Taverna do Rei, 2024) de Nicolas Petrimaux com tradução de Mario Luiz C. Barroso
Viver Dói (Bebel Books, 2025) de Fabiane Langona
Cornucopia (independente, 2022) de Giopota.
Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr. Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?