Todas as Pedras no Fundo do Rio: não há segunda chance nesta vida
/por Ciro Inácio Marcondes
Eu gostava de pensar que Wagner Willian era o mais felliniano dos quadrinistas brasileiros. Porém, se tem uma coisa de que não se pode acusar o velho Wagner, é de que ele se repete. O Maestro, o Cuco e a Lenda elaborava a memória (tal qual o mestre italiano) num prisma de invenção e delírio, algo que também vamos achar em Silvestre, mesmo que em outra chave. Mas eis que chega este Todas as Pedras no Fundo do Rio, cuja proposta inicial era adaptar (subvertendo) o filme A Felicidade Não se Compra (1946), de Frank Capra, e embola tudo.
Este novo livro, um épico de mais de 200 páginas lançado pela editora do autor (Texugo) junto com o Páginas Amarelas, é um fato novo na carreira de Wagner. Ambicioso, atravessando épocas, personagens e tramas paralelas, ele parece ser também o seu esforço em dotar uma narrativa mais clássica de potência de linguagem, de deixá-la se incorporar às necessidades do roteiro, beirando a quase total exaustão.
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Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr. Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?