Quarta Parede no HQMIX 2026: um projeto Pop ao Cubo
/Nossa coletânea QUARTA PAREDE está entre os finalistas do prêmio HQMIX em 2026, na categoria “Publicação Independente de Grupo”! Apoiada pela Raio Laser e pelo selo de quadrinhos Hot Mind, essa antologia que reúne alguns dos principais autores de quadrinhos do Distrito Federal na atualidade faz parte do projeto POP AO CUBO, desenvolvido como um laboratório de cultura pop dentro da Universidade Católica de Brasília.
O POP AO CUBO chamava-se originalmente “Cultura Pop e Sociedade Contemporânea no Distrito Federal” e, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP DF) e do Programa de Pós-Graduação Inovação em Comunicação e Economia Criativa (PPG ICEC) da Universidade Católica de Brasília, o projeto mobilizou, entre 2023 e 2025, docentes, estudantes, artistas e agentes culturais do Distrito Federal para uma série de entregas que incluíram: um canal no Youtube com 23 vídeos muito especiais realizando várias entrevistas com artistas relevantes do DF nas áreas de música, cinema e quadrinhos, além de coberturas de eventos legais de cultura pop; duas edições do festival FLIPPA de animação, dentro das dependências da UCB; a revista QUARTA PAREDE, antologia que procura capturar o zeitgeist da produção de quadrinhos no DF na atualidade; e uma exposição, na biblioteca da UCB, com as artes dos quadrinistas de QUARTA PAREDE; além de outras atividades acadêmicas. A revista conta com artistas fundamentais da produçao brasiliense da atualidade, como Lucas Gehre, Tiago Palma, Cora Rondon, Verônica Saiki, Wesley Semp e Pedro D’Apremont.
Pois QUARTA PAREDE, que procura situar a produção do DF contemporânea (fazendo, na introdução, uma recapitulação da trajetória histórica dos quadrinhos da região) dentro do contexto nacional, acaba de ser indicada ao 38º HQMIX, maior premiação da área no Brasil, dentro da categoria “Publicação Independente de Grupo”, algo que nos encheu de orgulho por trazer luz a essa produção regional e ao contexto brasileiro. Por isso precisamos da sua ajuda e do seu voto para conquistarmos essa premiação!
POR ISSO ESTAMOS DISPONIBILIZANDO GRATUITAMENTE O PDF DE “QUARTA PAREDE” AQUI, PARA VOCÊ CONFERIR A QUALIDADE DO NOSSO MATERIAL.
Exposição “QUarta parede”, na universidade católica de bras
Por fim, disponibilizamos aqui também o texto de apresentação de QUARTA PAREDE, escrito pelo editor da revista e também da Raio Laser, Ciro Inácio Marcondes:
Um quadrado e seus quadrinhos
A relação entre as histórias em quadrinhos, um dos pilares da cultura pop, e o Distrito Federal é antiga, ainda que atravessada por altos e baixos, novas cenas e recomeços. Uma das possíveis origens para as HQs brasilienses é a revista Risco, publicada em 1976 e que teve como um de seus principais colaboradores o pernambucano Jô Oliveira, radicado em Brasília. Um belo experimento visual com vários artistas, com histórias de humor e crítica social. Infelizmente teve apenas três números.
Depois disso tivemos uma geração de artistas que publicaram em jornais, alguns por vários anos, caso de Eixinho, o Monumental, criado por Humberto Junqueira, cujo personagem, um simpático e indagador passarinho, comentava o cotidiano (e também o aspecto político) da cidade. Estes artistas antecedem cartunistas e chargistas contemporâneos da imprensa local, como Kleber Sales e Caio Gomez.
Uma virada importante veio com a publicação da revista Samba, de 2008, pelas mãos de Gabriel Góes, Gabriel Mesquita e Lucas Gehre, que inseriu a produção brasiliense dentro de um contexto mais experimental, ganhou projeção com publicações maduras e influenciou a cena independente nacional. Teve três números e alguns spin-offs. Desta mesma época (2007) data o selo Hotmind (hoje editora Arcos Design), que lançou o quadrinista Daniel Arcos (também editor de Quarta Parede), de onde saíram vários quadrinhos de super-heróis e ficção científica.
Desses fenômenos apareceram outras cenas, como a “classe de 2013”, com quadrinhos autorais e fanzines, alguns com influência de mangá e HQs alternativas americanas, de onde vieram Renata Rinaldi, Pedro D’Apremont, Daniel Lopes, Lucas Marques, LoveLove6 e outros artistas. A partir dos anos 2020, vale destacar as revistas mix de produções coletivas, como Dead Rabbit e Menu, com nomes ligados tanto à produção “madura” norte-americana estilo Vertigo, como Ricardo Diniz e Paulo Peres, quanto a coisas mais underground, como Duda Carneiro.
Em 2025, dois autores brasilienses, Patrick Martins e Igor Frederico, foram semifinalistas do prêmio Jabuti na categoria HQ com o romance gráfico De Lá Não Se Via Luz. Em 2022, Mapinguari, de Gabriel Góes e André Miranda, também recebeu a mesma indicação. Marcos importantes para a produção candanga!
Em busca do pop
Quarta Parede nasceu das demandas do projeto Pop ao Cubo, originalmente “Cultura Pop e Sociedade Contemporânea no Distrito Federal”, que pretendeu trazer ao âmbito acadêmico (por meio de um canal no Youtube, redes sociais, eventos e publicações) a produção pop do DF em três áreas: música, cinema e quadrinhos. O projeto teve apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP).
Para esta mais que especial edição em quadrinhos, foram convidados para participar não apenas integrantes dos bastidores do projeto (como Erick Noire e Vinícius Vinhal), como também os quadrinistas que foram entrevistados como vitrine para o canal www.youtube.com/@pop_aocubo, além do próprio veterano editor Daniel Arcos, que encerra a coletânea.
A ideia curatorial era não apenas contemplar o projeto Pop ao Cubo, mas também dar uma amostra da grande diversidade de estilos da produção contemporânea de quadrinhos em Brasília, abrangendo desde autores que já estão há algum tempo nessa estrada (como Lucas Gehre e Pedro D’Apremont) como outros que testam formatos diferentes, caso de Cora Rondon e Wes Samp, populares na internet com suas tiras mordazes e/ou poéticas.
Além disso, temos a presença de Tiago Palma, que publicou na Marvel Comics, em uma história dinâmica e alucinante, típica dos bons quadrinhos de ação. A talentosa Verônica Saiki, autora de Verdugo, o Inacreditável e designer de jogos, nos presenteia com a primeira parte de uma singela história de coming of age, em cores suaves e clima nostálgico.
Vinícius Vinhal traz uma hilária paródia de reality shows de cozinha com um apelo fofo... no inferno! Já Pedro D’Apremont disponibiliza parte de seu acervo de tiras ácidas e non-sense que antes só podiam ser vistas na internet. Lucas Gehre nos faz refletir em grandes painéis coloridos e cheios de jogos, perguntando-se sobre caminhos e destinos. Por fim, Daniel Arcos passeia, de maneira divertida, por ilusão e realidade em uma história que se passa no diálogo entre um vigia e uma estátua de museu.
Quarta Parede, portanto, de certa forma contempla e dá continuidade à trajetória diversa e de apelo experimental do quadrinho brasiliense, procurando sair das sombras do underground e rumar para uma visibilidade maior, consagrando-se efetivamente como fenômeno pop.
Ciro Inácio Marcondes
Coordenador do Pop ao Cubo e editor do site www.raiolaser.net
Este projeto teve apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal - FAPDF