EP. #91 VILA-VALLEY: TESOUROS REDESCOBERTOS DA HQ BR convidados especiais CACO XAVIER & LUIZ GÊ
/Quanto tempo uma obra-prima pode ficar adormecida, sem ver a luz da publicação? A graphic novel brasileira “Vila-Velha: a Cidade da Bolha” precisou de 34 anos na obscuridade, com as páginas guardadas nos arquivos de Ivan Freitas da Costa e Luiz Gê, para que pudesse finalmente ressurgir translúcida, impecável e inédita, pelas mãos da editora MMarte. Com roteiro de autoria de Caco Xavier (veterano ilustrador e roteirista da HQ popular BR dos anos 80 e 90) e ilustrações de ninguém menos que Flavio Colin (talvez em seu melhor momento), “Vila-Velha”, além de ser história longa, é uma saga metalinguística meio porra-loca, meio sci-fi, altamente delirante e que contém insights filosóficos sobre a passagem das gerações, sobre a leviandade dos cultos e dos livros sagrados, e (ironicamente) sobre o esquecimento como um todo.
Cara de vilha velha a cidade bolha da editora mmarte
“Vila-Velha” ainda contém um easter egg interessantíssimo que é a participação do gênio da vanguarda quadrinística brasileira, Luiz Gê, cuja história “God is a Lilly of the Valley” (1973, publicada na Balão) faz uma participação especial.
capa de god is a lilly of the valley de luiz gê, um remake da hq experimental original
Contar apenas a história de bastidores dessa HQ agora imprescindível já renderia um bom LASERCAST, mas a equipe raiúka reuniu seus escribas para não apenas comentar esse quadrinho em toda sua complexidade, mas também conversar com Caco Xavier, Márcio Jr. (aqui como editor) e o próprio Luiz Gê sobre este raro acontecimento no quadrinho nacional.
Participam do episódio: Márcio Jr., Lima Neto, Ciro Inácio Marcondes, Bruno Porto e os convidados Caco Xavier e Luiz Gê.
Conflito de gerações, luta contra o esquecimento e uma sociedade com sua fé construída em cima de uma página de HQ
SE tem Colin, tem monstrão. Mas Vila Velha vai mais além…
… entrando em searas filosóficas com desenvoltura
Além da hq inédita, a edição também acompanha a reprodução de algumas das correspondências trocadas entre Caco xavier e flavio colin. uma visão rara do processo criativo de Colin em colaboração com outros autores
Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr. Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?