TREZE PERGUNTAS PARA RAFA CAMPOS ROCHA
/por Márcio Jr.
Comparações e rankings são invariavelmente uma tolice, mas acho difícil Rafa Campos Rocha não levar para casa o troféu de mais irascível quadrinista brasileiro da atualidade – se o prêmio existisse, claro. Criador da já inconfundível Deus, Essa Gostosa, o sujeito segue destilando sua verve em centenas de páginas de quadrinhos, produzidas num ritmo tão frenético quanto seus ataques ao reacionarismo político através das redes sociais – que, vira-e-mexe, covardemente lhe tiram do ar.
Não se trata de fazer gênero: Rafa é exatamente o que parece. Sou testemunha disso. Certa vez em São Paulo, após uma tarde regada à feijoada e pinga com café, quase nos meteu em três brigas com vizinhos de mesa – aos quais emitia sonoras provocações. O tempo todo. É justamente esta visceralidade, anfetaminada por rara erudição artística e política, que o leitor encontrará na entrevista a seguir – cujo número de questões está longe de ser aleatório. E não se esqueça de conferir Kriança Índia, gibi virtual da editora Guará, sua bola da vez.
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Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr. Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?