HQ em um quadro: a ciência do sono induzido, por Pablo de Santis e Juan Sáenz Valiente
/O hipnotizador Arenas desmistifica seu ofício através de um argumento científico (Pablo de Santis, Juan Sáenz Valiente, 2007): É comum que se associe culturas midiáticas visuais a um tipo específico de hipnose. No cinema, isso foi alvo de teorias cheias de complexidade (ver Münsterberg ou Morin). O mundo visual traduzido em enquadramentos ordenados e organizados em dispositivos de causa e efeito, em algum grau, parece nos submergir em distintos estados de transe ("projeção-identificação", nas palavras de Morin). Quando o famoso escritor argentino Pablo de Santis (histórico roteirista da Fierro), ao trabalhar com o virtuoso ilustrador Juan Sáenz Valiente, traz o tema do hipnotizador a esta magnífica história publicada em capítulos pela nova versão da Fierro, isso pode ou não ter sua carga de metalinguagem. Gosto de achar que sim, e as reviravoltas na história soturna de um mestre argentino desta antiga arte, que desvela o passado das pessoas através do sono, mas não consegue dormir, parece um indicativo interessante de seu dilema enquanto artista que alterna as funções de escritor e de roteirista de HQs (da qual ele estava afastado havia anos). O escritor domina a arte de induzir o sono imaginativo construído na mente de leitor. Ao quadrinista cabe o trabalho de sonhar pelo mesmo.
Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr. Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?