Em memória de Athos Eichler Cardoso
/por Oto Reifschneider
Em memória do amigo Athos, que nos deixou em 19 de dezembro, escrevo essas linhas. E por que motivo conto todas essas histórias, detalhes do que nos uniu e nos afastou? É que esses movimentos são a matéria própria da vida.
Foi pesquisando a bibliofilia no Brasil que estreitei os laços com um grupo de estudiosos que se reunia em frente ao Armazém do Livro Usado (em Brasília), do amigo livreiro Jorge Brito, aos sábados pela manhã. A prosa girava sempre em torno de livros e cultura, além da inexorável passagem do tempo. Eu era o mascote, imagino. Estava para completar meus 30 anos de idade, todos os demais nos seus 60/70 anos. Uma década depois, reclamariam de minha virada dos 40: nosso grupo já não tinha mais nenhum jovem! Essa questão da idade se repetia em nossas conversas, a conclusão sempre a mesma: a velhice pode ser ruim, mas a alternativa é pior.
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Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr. Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?