por Lima Neto


A imagem que abre este texto é uma reprodução de uma pintura de Ernest Thompson Seton. A pintura é intitulada A Vitória do Lobo. Essa pintura, e sua figuração mórbida e chocante, foi reprovada pela curadoria do Grande Salão de Paris, em 1892. De nada adiantou mudar o título para Aguardando em Vão, na expectativa de que uma dose de ambiguidade pudesse convencer os júris de que aquela agourenta imagem de um lobo roendo um crânio humano acompanhado de uma despojada alcateia pudesse representar algo diferente da derrota fatal de todo um plano humanista que se encontrava a pleno vapor na Europa do Século XIX (a pintura foi inspirada na notícia de um roceiro caçador de lobos predadores de gado que desapareceu certo dia para reaparecer como um cadáver parcialmente comido pelos mesmos lobos que pretendia eliminar). Sentindo-se um incompreendido em seu discurso artístico, Seton retornou então para a América do Norte para seguir sua vida em meio aos ambientes selvagens como um estudioso dos animais que tanto respeitava. 
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Direto ao ponto, porque esse post é uma "long and winding road". Quem segue a Raio Laser sabe que nosso "best of" de fim de ano corresponde às melhores leituras em quadrinhos, de qualquer época ou nacionalidade, realizadas no decorrer dos últimos 12 meses. Como a Raio é um bicho solto, cada escriba faz a sua lista do jeito que quiser, isso se quiser fazer. Para a lista de 2018 três colaboradores se habilitaram. Eu, Márcio Jr. e Marcos Maciel de Almeida. Márcio e Marcos fizeram listas com dez títulos. Marcos colocou em ordem. Eu fui fominha e fiz 11 títulos. Eu e Márcio não colocamos em ordem. Tem de tudo aí nesse balaio: lançamentos, quadrinho nacional, BD, mangá, erótico, comics, romance gráfico, fumetti, era de ouro, etc. Para se ir lendo em partes, mas para se ler inteiro! Até 2020! (se tivermos mundo em 2020). (CIM)

Edições anteriores do nosso Best Of:


por Ciro Inácio Marcondes, Márcio Jr. e Marcos Maciel de Almeida.
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por Pedro Ribeiro

Entramos nos anos 2000 aproveitando as benesses e também os ocasos da tecnologia: muitos de nós usando telefones celulares, acessando a internet e trocando mensagens e conteúdo via e-mail. Mas também experimentando o início do controle cibernético, uma maior falta de tempo, relacionamentos anteriormente presenciais e hoje em dia mais líquidos, distantes fisicamente e em algumas vezes, afetivamente. Muitos conceitos estavam sendo modificados na sociedade nesse período, e por que não rever o conceito de mutantes também? Afinal, titio Stan Lee e vários outros roteiristas e artistas tanto na Marvel como na DC nos ensinaram que os super-heróis eram um reflexo do que estava acontecendo no mundo exterior. E foi aí que surgiram, rejeitando a cronologia e o politicamente correto, os X-Táticos de Peter Milligan e Michael Allred. E quem irá dizer que não é ousadia assumir um título X introduzindo um grupo de personagens 100% desconhecidos e esquisitos?


Os primeiros mutantes criados na Marvel existiam em uma só revista de história em quadrinhos criada em 1962, os X-Men. Eles consistiam de cinco indivíduos, Ciclope, Garota Marvel, Fera, Anjo e Homem de Gelo, tendo como líder o Professor X. Esse foi o começo de tudo. Porém, dos anos 80 em diante houve uma grande expansão de títulos X, como os Novos Mutantes, X Factor, Excalibur, Geração X, e outros. Diversas publicações mutantes, coerentes com nosso consumismo voraz. Se antes tínhamos dois ou três pares de calçados nos anos 80 e hoje temos quase uma dúzia em nossos guarda roupas, haveria de ser assim com os quadrinhos também. Quem aqui não tem uma pilha enfileirada de gibis para ler que atire a primeira pedra.

A saga dos X-Táticos começou quando chegou às lojas de quadrinhos a edição 116 de X-Force, em julho de 2001, com um novo grupo de heróis, os mais diferentes que as mentes férteis de Peter Milligan e Michael Allred puderam imaginar. Ouso dizer que X-Force em 2001 teve tanta importância para renovar o gênero mutante quanto os New X-Men de Grant Morrison, lançado no mesmo ano. É notório que o quadrinho de super-heróis é uma arte criada pelos norte-americanos, e refletindo sobre isso é possível estabelecer uma forte conexão do X-Force de Milligan e Allred com a pop art, o mais famoso período das artes plásticas dos Estados Unidos.


Surgido na década de 60, demonstrava com suas obras a massificação da cultura popular capitalista, dissecando-a e expondo seu melhor e pior lado. O movimento se alimentava de propagandas de produtos, de imagens de celebridades e também de histórias em quadrinhos das eras dourada e prateada. As cores primárias e secundárias eram muito utilizadas: azul, vermelho, amarelo e demais combinações. E o maior nome da pop art, Andy Warhol, profetizou na década de 60 que no futuro todos seriam celebridades instantâneas e teriam seus 15 minutos de fama.

No X-Force de Milligan e Allred, seus personagens vivem de maneira rápida seu protagonismo, participando de um casting frenético, onde não se sabe quem será afastado do grupo ou morto. Em uma sociedade com excesso de cobertura midiática, narcotização da informação e celebridades instantâneas, esse grupo de super-heróis é montado inicialmente pelo personagem Treinador para realizar missões, que ninguém sabe se são realmente de cunho heroico ou “trabalho sujo”. Tem seus passos monitorados pela mídia, que mensura inclusive quem é mais popular entre a audiência.
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Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr.

Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.

Justiceiro "parrudo" de JRJR
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?

Opções não faltam. O filho do lendário John Romita produziu tanto material que muitas vezes é difícil lembrar de tudo. Além das mencionadas no parágrafo anterior, tem muitas HQs dele que me atraem mais pela arte do que pelas histórias, caso da mini em duas partes do Cable e da fase do Thor escrita por Dan Jurgens (na qual os desenhos de JRJR eram finalizado por computador, deixando um interessante efeito de lápis nas páginas).

Como não poderia deixar de ser, Romita Jr., prolífico como ele é, tem também muito material pouco inspirado, menos na construção de cenas e mais como narrador visual. Sua recente incursão pela DC Comics deixa isso claro. Mas essa “fadiga” não é de agora. Quem acompanha sua trajetória deve lembrar de quando (meados dos anos 90) ele começou a chamar a atenção pelo exagero, com personagens que pareciam compostos por vários blocos empilhados (usando ombreiras e cabelos mullets). Pior, desenhando sagas odiadas, como a do Aranha Escarlate. Fato que, nos últimos 25 anos, contam-se nos dedos seus trabalhos dignos de nota – Kick Ass e Eternos (com Neil Gaiman) seriam dois deles.

Nada disso realmente importa. Romitinha é um autêntico operário dos quadrinhos e folhear uma revista com seus desenhos, seja “das antigas” ou de agora, é muito melhor do que quase tudo disponível na prateleira de comics de uma banca de jornal.

Os textos que se seguem comentam um pouco de nossa admiração pelo trabalho do cara. A ideia inicial era produzirmos um top 3 “favoritas de JR JR”, além de apontar aquele que, em nossa opinião, era o pior quadrinho feito pelo desenhista. Acabou não rolando desse jeito, mas ficou – acredito – legal mesmo assim. Boa leitura!


ps: Ah, já sei qual revista eu pediria para John Romita Jr. autografar: alguma edição de Força Psi com histórias do Estigma (Star Brand), um favorito pessoal. (Pedro Brandt)

por Márcio Jr., Lima Neto, Marcos Maciel de Almeida e Ciro I. Marcondes
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