Quer dizer que, depois da “polêmica” do texto anterior, você
voltou à Raio Laser cheio de esperança de ler outra iluminada crítica do Ciro
Marcondes?! Pois você se deu mal! As linhas a seguir falam de lembranças
afetivas, de um mangá semi-pirata e de videogame. Se você também leu esse gibi
lá nos idos de 1993, deixe seu depoimento na caixa de comentários.
por Pedro Brandt
O jovem que entra numa banca de jornal hoje em dia e se
depara com o tanto de mangás disponíveis nas prateleiras talvez não imagine
como era a coisa no passado. Antes da chegada dos quadrinhos japoneses em massa
ao Brasil (que começou a acontecer com força na virada do século), os mangás
traduzidos para o português eram pouquíssimos. Contavam-se nos dedos de uma
mão: Lobo Solitário,
que foi publicado em diferentes formatos e editoras ao longo dos anos 1980 e
1990 (até ser, finalmente, editado na íntegra pela Panini, a partir de 2005); Akira, pela editora Globo (com um
intervalo de alguns anos, mas publicada até o fim); a minissérie Mai, a garota sensitiva, pela Abril; e a
também mini Crying Freeman, pela Nova
Sampa.(republicada pela Panini em 2006).
Em comum, esses mangás têm desenhos em estilo mais realista
e tramas mais sérias, com maior apelo para o leitor maduro. Eu gostava de todos
eles (li-os na Gibiteca de Brasília) e queria mais. Não só mais títulos, mas
variedade, opções. E, especialmente, eu queria um mangá com “cara de mangá”,
com olhos arregalados, bocas enormes e muitos, muitos recursos gráficos que
aproximam os quadrinhos dos desenhos animados.
Essa vontade eu saciei em outubro de 1993, quando me deparei
com Street Fighter II – Em quadrinhos. Vale contextualizar: naquele ano, os Cavaleiros do Zodíaco,
série que tem grande importância para a popularização dos animes e, por consequência,
dos mangás no Brasil, ainda não tinha estreado na tv brasileira. Ou seja,
qualquer mangá que chegasse ao país era, efetivamente, uma grande novidade.
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