Yes! Entre os dias 27 e 30 de outubro, Rafael Coutinho desembarca em Brasília junto ao parça (brasiliense) Gabriel Góes para realizar, no Espaço Cult, a "Oficina de Desenho e Narrativa para Quadrinhos", que eles já haviam realizado com sucesso em Sampa e outras cidades. Para quem não habita o planeta quadrinho há algum tempo, Coutinho, filho de Laerte, realizou "Cachalote" (com Daniel Galera) e "O beijo adolescente", dois dos trabalhos mais significativos das HQs brasileiras nos últimos tempos. Além disso criou o selo Narval, responsável por desaguar os autores mais instigantes da nova geração de quadrinistas brasileiros. Já Góes, figura muito conhecida em Brasília (e não só), tem em seu currículo as prestigiadas revistas "Samba" e "Kowalski", além de muitos trabalhos autorais e duas elogiadas adaptações de Nelson Rodrigues junto a Arnaldo Branco.

Esta Oficina promete ser um grande estímulo ao quadrinista brasiliense e uma chance para dar aquela velha "movimentada na cena". Participe! As matrículas podem ser realizadas online aqui.


por Márcio Jr.

A esmagadora maioria dos gibis mensais norte-americanos possui 22 páginas de quadrinhos propriamente ditos. Estamos, obviamente, falando de mainstream, comic books, super-heróis. Existem algumas justificativas para isso. A mais comum é que se o desenhista produzir uma página por dia, ao final do mês, descontando os finais de semana, ele terá feito um gibi inteiro. Faz sentido.

Minha tese, porém, é outra. Um gibi de 22 páginas corresponde exatamente ao tempo que se gasta numa ida ao banheiro para executar o glorioso “número 2”. A não ser que o roteirista seja o verborrágico Chris Claremont.

Você chega, abaixa as calças e senta no trono da privacidade absoluta – ou quase, no caso de ter filhos pequenos em casa. Ali, trabalho sujo e leitura ligeira andam de mãos dadas, numa simultaneidade que remete ao nado sincronizado. Movimentos peristálticos e satisfação mental. 22 páginas depois, missão cumprida. Missão dupla, diga-se de passagem. O gibi foi devorado do começo ao fim, sem sobras indesejáveis para momentos posteriores. E o estado da matéria no forévis ainda não se petrificou a ponto de exigir uma ducha. Todos saem ganhando.

Gibi de super-herói é, definitivamente, leitura de banheiro. Batman: O Cavaleiro das Trevas, não.


por Marcos Maciel de Almeida

Confesso que não estava familiarizado com a obra do fluminense Marcello Quintanilha. Sabia que ele tinha ganhado o prêmio de melhor HQ Policial no Festival de Angoulême na França, com o gibi Tungstênio. Sabia também que ele tinha lançado alguns álbuns pela Conrad, inclusive o Fealdade, quando ainda assinava como Marcello Gaú. Bem, posso dizer que, depois de Talco de Vidro, minha opinião sobre o quadrinista passou da simpatia neutra pela admiração e pelo reconhecimento de estar diante de uma estrela em formação. Que gibi!

Leitor de quadrinhos há pelo menos três décadas percebo, com grande felicidade, o momento especial por que passa o quadrinho nacional atualmente. Antes, a HQ brasileira lutava para encontrar sua identidade e parecia sempre estar querendo se adequar aos modelos estrangeiros, principalmente o comic americano. Sim, tínhamos grandes autores pertencentes à vertente crítica/humorística como Angeli, Laerte e Glauco, mas sempre tive a sensação de que esses criadores faziam parte de um “gueto”, enquanto a maioria dos quadrinistas remava sem rumo definido. Lourenço Mutarelli também era outro autor marginal, no bom sentido da palavra. Não estou afirmando que hoje exista um movimento que possa ser denominado de Novo Quadrinho Brasileiro. Na minha modesta opinião, os autores deixaram de buscar um modelo e decidiram trilhar o próprio caminho, que aponta para o trabalho independente, livre e autoral. Acredito que a identidade nacional quadrinística, hoje, se afirma mais pela heterogeneidade que o contrário. É mais fácil dizer o que ela não é, do que saber o que ela é. Enfim, essa é outra história. O que importa, nesse momento, é reconhecer o talento de Quintanilha, retrato dessa geração que vem transformando o quadrinho nacional.

Lendo algumas críticas sobre as principais qualidades do autor, uma delas é frequentemente exaltada: a capacidade em reproduzir o linguajar coloquial do brasileiro, especialmente levando em consideração que Quintanilha está radicado na Espanha há quinze anos. Essa habilidade fica patente na HQ Tungstênio, que se passa em Salvador, e também na Talco de Vidro. Mais que isso, o autor demonstra considerável talento em retratar situações cotidianas, óbvias, que todos vivenciamos, mas não paramos para refletir ou identificar. Sabe aquelas coisas que só reparamos quando alguém aponta o dedo e nos mostra didaticamente? Pois é, Quintanilha é mestre nisso.


O narrador sugere que Modred vê monstros e dragões no lugar de soldados, carros e armas (Bill Mantlo, Sonny Trindad, 1975): dia desses ganhei um presente que adoro: um gibi velho, puído, um pouco mofado. Tive que deixar algumas leituras da fila para trás para me dedicar a este novo artefato. Trata-se de uma revista da Marvel original de 1975. Nada raro ou obscuro, que fique claro. Mas eu sou daqueles que gosta de primeiro cinema, dixieland jazz, maxixe, golden age comic strips, coisas velhas. Um gibi Marvel dos anos 70 é como uma pequena viagem no tempo àquela época louca: páginas de anúncios como "have your poems set to music", "free one million cash", "hipnotize!", "authentic Superman costume", etc. Além dos próprios anúncios da Marvel: adesivos para caderno, fantasias dos Vingadores para crianças, um correio super "hip" assinado pelo Stan Lee. Fresh vintage!

Mas nada disso se compara à leitura de um bom gibi da era de bronze. Veja este caso. Ele faz parte de uma série chamada "Marvel Chillers", que está entre o super-herói e o terror ainda um tanto inspirada no grafismo do horror clássico dos anos 40 e 50. Mesmo assim, o conteúdo é bem mais supers. Durou apenas sete edições, duas com Modred, the Mystic, um personagem de quinta criado por Marv Wolfman que apareceu depois em algumas histórias dos Vingadores; e as outras cinco com a sensual e mais famosinha Tigra, the Were-Woman. A minha edição é a número dois. Portanto, o fim do arco de Modred, cuja primeira aparição havia sido no número um. Não esperava nada, mas encontrei um texto consistente de Bill Mantlo, com diálogos elaborados e ótimos (e bem irônicos) recordatórios (ou recitativos), além de uma arte satisfatória por parte de Sonny Trindad, prejudicada pela coloração de impressão paupérrima (imagino que em 3 cores), mas que adiciona certo charme à coisa. 

Modred, na verdade, é um ótimo personagem. Oriundo do século VI, da terra de Camelot, ele é o aprendiz de mago do grande Velho Gervasse, o "segundo maior mago do Reino" (perdendo pra um enlouquecido Merlim, é claro). Ambíguo, impetuoso, descontrolado e submisso às suas paixões, Modred acaba cedendo a forças obscuras quando invoca um poder das trevas presente no livro Darkhold e, exaurido num duelo contra o oculto, acaba congelado no tempo, paralisado, até que acorda no presente (isto é, 1975). O enredo lembra a série Camelot 3000, e eu não me surpreenderia se Modred tivesse em algum nível sido uma inspiração.



por Ciro I. Marcondes (resenhas) e Pedro Brandt (entrevista)

Quiral
Na ativa desde 2014, a Editora Mino juntou em pouco tempo um catálogo admirável, com obras de novatos e veteranos produzidas com caprichado acabamento editorial (papel bom, capa dura, impressão de qualidade, etc.) e uma curadoria que foge de obviedade e é afeita ao risco. 

Além das obras resenhados abaixo, a Mino lançou recentemente Quadrinhos insones, de Diego Sanchez, e os primeiros títulos de autores estrangeiros pela editora: o perturbador Zonzo, de Joan Cornellà, e o divertido (e fofo!) Fungos, de James Kochalka. Em breve, chegam às livrarias O Diabo e eu, HQ inspirada na vida do bluesman Robert Johnson, de autoria de Alcimar Frazão, e Shaolin Cowboy, do monstro Geof Darrow.

Responsáveis pela Mino, o casal paulista Lauro Larsen e Janaína De Luna conseguiu realizar este que é sonho de muitos fãs de quadrinhos: abrir a própria editora e lançar títulos e autores nos quais acreditam. 

Em entrevista por e-mail, eles contam um pouco como foi colocar isso em prática (“As pessoas são apaixonadas por quadrinhos, mas não entendem nada de negócios. Tem que ter planejamento...”), comentam as escolhas do que publicam (“Porra, como é que sabe se determinado autor não vende se ninguém nunca o lançou de maneira decente?”), lembram como se iniciaram no mundo dos quadrinhos e ainda tecem palpites e arriscam previsões sobre o cenário nacional de HQ (“Acho que o futuro vai ser massa!”). (PB)

Caso queira enviar seu material para ser resenhado na Raio Laser, o endereço é o seguinte:

RAIO LASER
SQS 212 Bloco G Apto 501.
Brasília-DF
Brasil
CEP: 70275-070


por Márcio Jr.

O "velhinho"
Muito já foi dito sobre Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior, nova investida de Frank Miller ao universo que o consagrou por definitivo em 1986, quando do lançamento da antológica minissérie original. Considerando-se que a HQ permanece incompleta, isso só reforça um fato: Miller segue como o maior e mais influente quadrinista da indústria norte-americana desde Jack Kirby. E isso não é Ki-Suco de groselha. Com a chegada da primeira edição às bancas brasileiras, via Panini, passa a existir a possibilidade concreta de um encontro efetivo com essa nova obra – a menos para aqueles com R$ 9,90 no bolso. Assim, o que proponho aqui é uma série de ensaios, um a cada edição, sempre escritos no calor da batalha. Apesar da perda do status de unanimidade, o volume de polêmicas e discussões geradas por cada movimento de Miller mostra que o velhote (que cronologicamente nem é tão velhote assim, batendo na casa dos 59 anos) ainda tem tinta pra queimar.

Desnecessário falar da hecatombe provocada por Batman: O Cavaleiro das Trevas na década de 80. Ao lado de Watchmen, ressignificou o quadrinho de super-herói para o público adulto – que muitas vezes sequer era leitor do gênero. Por causa dele, os gibis ganharam moral em boa parte do ocidente. Em contrapartida, toda HQ medíocre e supostamente adulta (impressão chique, violência gratuita, alguns peitinhos e “realismo”) que lemos hoje carrega seu legado.


por João Rodrigues

Artista plástica formada pela faculdade Dulcina de Moraes com pós-graduação em Design Gráfico e Editorial pelo IESB, Verônica Saiki é uma artista multitarefa que gosta de explorar as várias linguagens da suas áreas artísticas. “Eu adoro fazer ‘n’ projetos, como ilustrações de livros infantis, trabalhar com esculturas, etc”.

Além desses trabalhos, que faz por conta própria e para clientes, Verônica também atua na área dos quadrinhos. Nascida e naturalizada em Brasília, ela é autora da série Verdugo - O Inacreditável. Criado em 2002, o personagem foi publicado em fanzines de 2007 a 2009, e em duas edições de 24 páginas pela editora Júpiter2 em 2014. 

Agora, Verônica fez uma grande conquista: Sua nova obra, Verdugo - O Inacreditável: Procurados, não só está disponível fisicamente como também digitalmente na plataforma Social Comics, aplicativo considerado o “Netflix dos quadrinhos”. Assim como a plataforma de vídeos, os assinantes têm acesso a um número determinado de HQs para lerem quando quiserem.


Em fevereiro realizamos mais uma edição do nosso curso História dos Quadrinhos - Trajetória de uma Arte Sequencial e nos deparamos com uma turma muito interessada, conhecedora dos quadrinhos e disposta a ampliar e dialogar sobre este conhecimento. Dentre nossos melhores alunos estava o jornalista João Rodrigues, com experiência em jornais, blogs e podcasts, cujo objetivo atual é se especializar em cultura pop. Pedimos para ele escrever algo para a gente e ele trouxe este texto sobre a história dos encontros (e confrontos) entre Batman e Superman nos quadrinhos, aproveitando o gancho do novo filme de Zack Snyder. Como o filme saiu esta semana, achamos que era bom apresentar a vocês não apenas o texto, mas também este novo colaborador. Aproveitamos o espaço para, na caixa de comentários, debatermos também a respeito da qualidade do filme, que tem dividido opiniões. De um lado, a crítica "chauvinista" que achou seu roteiro irregular, cheio de furos e com precária caracterização dos personagens. De outro, os fãs dos personagens, que ficaram exultantes com o caráter sombrio, e boa direção de arte e os desdobramentos realistas do filme. E você, o que achou? Valeu João! (CIM)

por João Rodrigues




O envolvimento de mulheres no universo das histórias em quadrinhos cresceu consideravelmente nos últimos anos. Com isso, aumentou também o interesse delas por maior representatividade nesse meio, seja no conteúdo apresentado nas HQs ou na identificação com mais artistas do sexo feminino. De Marjorie Henderson Buell, a Marge, criadora da personagem Luluzinha, até Marjane Satrapi, roteirista e ilustradora de Persépolis, não é difícil elencar talentosas mulheres envolvidas com quadrinhos.

Quem curte Marvel e DC Comics deve estar familiarizado com os nomes das roteiristas Barbara Kesel, Gail Simone, Jo Duffy e Louise Simonson; das desenhistas Jan Duursema, Amanda Conner, Colleen Doran e Jill Thompson, da arte-finalista Rachel Dodson ou da colorista Laura Allred. Editora, Karen Berger está diretamente ligada à criação do selo Vertigo, da DC, e foi responsável por títulos como Sandman e o Monstro do Pântano de Alan Moore.

Os colecionadores de cards de super-heróis, uma mania nos anos 1990, devem se lembrar de Julie Bell, pintora que ilustrou dezenas desses cartões, sempre em ambientes fantásticos e um tanto kitsch (selvas ou espaço), com personagens musculosos (ela foi fisiculturista!) bem ao estilo da revista Heavy Metal. E por falar na publicação, como não mencionar Olivia De Berardinis e suas maravilhosas pinups? Ou a arte erótica de Giovanna Casotto?

O leitor brasileiro de mangá talvez não saiba, mas muitos dos quadrinhos japoneses publicados por aqui foram criados por mulheres, caso de Peach Girl, de Miwa Ueda, Fullmetal Alchemist, de Hiromu Arakawa, e o popularíssimo Ranma ½, de Rumiko Takahashi.

Mulheres deixaram suas marcas nos gibis da Turma da Mônica, desde a pioneira Emy Acosta, até hoje na empresa e uma das responsáveis pela chamada “fase fofinha” do final dos anos 1970, até, em tempos mais recentes, a roteirista Petra Leão, escrevendo para a Turma da Mônica Jovem, e a desenhista Lu Cafagi, nas graphics Laços e Lições.

A finlandesa Tove Jansson é criadora da séria Mumin, capaz de encantar crianças e adultos. A obra saiu no Brasil primeiramente pela Conrad e depois pela A Bolha, ousada editora tocada por Rachel Gontijo. 

E se você leu Fun home ou Você é minha mãe?, ambos de Alison Bechdel, sabe que essas graphic novels estão entre as melhores da atualidade.

Essas mulheres são apenas algumas entre muitas produzindo histórias em quadrinhos no Brasil e no mundo. Entre as brasileiras, poderiam ser citadas tantas outras que atualmente publicam suas HQs de maneira independente ou trabalham para as grandes editoras de comics. 

Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, a Raio Laser fez uma lista com onze mulheres cujos trabalhos merecem a sua atenção. São profissionais que se destacam pela criatividade, inovação e personalidade. Curiosamente, não vemos com frequência os nomes delas em outras listas de grandes mulheres dos quadrinhos. Fica aqui a nossa reverência e respeito. (PB)


A já clássica definição de McCloud
Nos últimos tempos tenho me dedicado a leituras especializadas e à participação em cursos teóricos sobre a mídia "Histórias em Quadrinhos" (Comic Books) e, a partir dessa bagagem cultural, quero efetuar algumas breves considerações sobre o tema.

As obras teóricas Narrativas Gráficas, do genial quadrinista Will Eisner, e Desvendando os Quadrinhos, do estudioso Scott McCloud, são fundamentais para uma definição segura do que seja essa forma de arte e de comunicação. Eisner trata as HQs como verdadeiras "artes sequenciais", ou seja, enquanto "imagens dispostas em sequência, de modo a transmitir ideias e comunicar uma história".

McCloud tece uma definição mais específica, tratando as HQs como "imagens pictóricas e outras justapostas em sequência deliberada, destinadas a transmitir informações ou produzir uma reposta no espectador/leitor". Em outras palavras, as HQs seriam como que "recipientes midiáticos" que podem conter diversas idéias, imagens, temas, conteúdos, estilos e técnicas narrativas e artísticas, o que desde já desconstrói a opinião corrente de que possuem relação direta com temas específicos de caráter infanto-juvenil do porte de super-heróis ou de "animaizinhos" falantes engraçados. 

Apesar de muitas HQs possuírem tais conteúdos temáticos, elas não se resumem a isso e mesmo quando narram aventuras de super-heróis ou de animaizinhos falantes, tais como Watchmen, de Alan Moore, ou o Pato Donald, de Carl Barks, bem, tais HQs são impressionantes por vários motivos, sejam psicológicos, filosóficos, existenciais, históricos, sociológicos, dentre outros.

Na verdade, me parece que as opiniões depreciativas do público em geral sobre a mídia Histórias em Quadrinhos possuem diferentes motivos, a começar pela ignorância da maioria das pessoas sobre o que realmente seria tal veículo de comunicação e de manifestação artística (e emprego a palavra ignorância aqui em sua etimologia, como sendo o ato de opinar sobre algo sem o devido conhecimento de causa).

Juntando-se a isso temos a tradição de certos posicionamentos preconceituosos de educadores e "especialistas em juventude e adolescência" que, no decorrer das seis primeiras décadas do século XX, consideraram as HQs como sendo "vulgares, estúpidas, moralmente condenáveis e/ou como a expressão do baixo senso intelectual daqueles que não gostavam de livros". Muitos desses ditos intelectuais afirmavam em alto e bom tom que os leitores de HQs seriam jovens incapazes cognitivamente, sendo todos eles facilmente "manipuláveis diante de imagens de cores berrantes, rostos disformes e esgares contorcidos de ódio e terror, uma forma de manifestação que careceria de senso estilístico e gramatical".

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