por Pedro Brandt

Contabilizando a quantidade de conteúdo – textos e, especialmente, vídeos – do site/canal Pipoca & Nanquim, é perceptível uma dedicação exemplar ao projeto. O nível da qualidade textual e o gosto diferenciado nas escolhas dos assuntos abordados está a anos luz da média da internet brasileira – uma raridade, pode-se dizer. O carismático trio formado por Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes, ainda por cima, estreou em 2017 a editora Pipoca & Nanquim. Uma conquista não apenas deles, mas dos leitores brasileiros interessados em quadrinhos que fujam do convencional.

Com um fôlego impressionante, a jovem editora lançou, em seis meses, seis títulos de peso: Espadas & Bruxas, coletânea com trabalhos do espanhol Esteban Maroto; Cannon, obra do americano Wally Wood; Moby Dick, adaptação do clássico literário de Herman Melville assinada pelo francês Christophe Chabouté; Beasts of Burden – Rituais Animais, de Evan Dorkin e Jill Thompson; Um Pequeno Assassinato, de Alan Moore e Oscar Zárate e Conan, o Bárbaro, livro com contos de Robert E. Howard, criador do personagem, e ilustrações de Mark Schultz, Gary Gianni e capas de Frank Frazetta. É mole ou quer mais?! Sim, Pipoca & Nanquim, queremos mais, muito mais!


Por e-mail, Alexandre Callari e Daniel Lopes responderam (um pouco antes do anúncio do lançamento do livro de Conan) uma entrevista sobre o surgimento da editora. Que ela tenha uma vida longa e próspera! (PB)

PS: na semana que vem, a Raio Laser volta seu escrutínio às HQs lançadas pelo P&N.



Vocês três trabalham há alguns anos no meio editorial de histórias em quadrinhos. Quais os principais aprendizados – resumidamente falando – vocês adquiriram para montar a editora Pipoca & Nanquim?

Alexandre: Nós sonhamos em montar uma editora desde bem antes de sermos editores, quando o Pipoca ainda era um canal bem pequeno e nem sequer estava no Youtube. Foi ótimo que as tentativas anteriores não tenham dado certo, porque nós simplesmente não estávamos preparados. Foi só depois de anos trabalhando para a Panini/Mythos que aprendemos todo o funcionamento do processo editorial. Mesmo assim, quando começamos, tivemos de nos familiarizar com várias outras coisas que conhecíamos apenas marginalmente, como os processos de gráfica.

Daniel: Outra coisa bem importante foi ter um público no canal bem participativo, e que nos serve de termômetro para a escolha dos títulos. Às vezes algum comentário do tipo “Alguém precisava trazer o trabalho do Wally Wood por Brasil” já nos dá uma luz.

“Alguém precisava trazer o trabalho do Wally Wood por Brasil”

Aprender a como apresentar e vender um produto é um aprendizado constante, que anda lado a lado com o processo editorial: o livro precisa ser atrativo como objeto e ter um motivo (vamos dizer assim) para ser lançado.
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por Marco Antônio Collares

Todos nós sabemos o imenso sucesso do personagem Homem-Aranha da Marvel Comics e todos nós conhecemos alguns dos motivos desse sucesso perante o público como um todo. O que muitos dos fãs não percebem é o quanto esse sucesso relaciona-se a um dos mais renomados antagonistas do herói mascarado, o editor-chefe do jornal Clarim Diário, J.J. Jameson, que passa a maior parte de seu tempo tentando desmerecer o herói mascarado, evidenciando o que seria a verdadeira face do Homem-Aranha, não como o herói que procura afirmar em seus salvamentos do dia a dia, mas como um mero criminoso mascarado. Se o Abutre, o Dr. Octopus e o Duende Verde são ameaças físicas ao aracnídeo, o Clarim Diário é uma ameaça constante e simbólica, que exerce mais prejuízos à vida do herói aracnídeo do que todos os seus vilões reunidos. 
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Desovando aqui mais quatro sensacionais quadrinhos lançados pela Mino! Let's kick some! (CIM)

por Pedro Brandt, Marcos Maciel de Almeida, Márcio Jr. e Ciro I. Marcondes

BAR – O Miolo Frito (Mino, 2017, 176 p.): Para Jürgen Habermas, a esfera pública é a dimensão onde os grandes (e pequenos) temas de interesse público seriam aberta e democraticamente debatidos. Aos meus olhos embriagados, os bares sempre pareceram uma possibilidade plausível de locus para este conceito. E quanto mais pé sujo, mais habermasiano – até porque em bar metido a besta as pessoas não vão para discutir ou conversar, mas para dar pinta e aparecer.

Falo desses botecos de quinta categoria com alguma propriedade. Passei boa parte da minha infância dormindo em suas mesas, enquanto meus pais tomavam dúzias de geladas. Mal adentrei a adolescência e já tinha a dura tarefa de buscar meu velho na madrugada amiga. Chegava lá e a corrupção ganhava corpo: uma coxinha, um picolé, um refri, um torresmo. Meu pai, que adorava bater papo, estava sempre rodeado de amigos, falando levemente sobre todo e qualquer assunto. Tudo isso para dizer que reconheço em Bar uma respeitável autoridade sobre o tema.
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A "Rapidinhas" (antiga "Quicky") é uma das seções mais queridas da Raio Laser. Como procedemos para fazer este aparentemente aleatório apanhado de publicações, zines, graphic novels e o que mais vier (nacionais) ser transformado numa fornada fresquinha de resenhas ao gosto (ou nem tanto) do freguês? Bem, a ideia é frequentar muitas feiras de publicações, treinar o olho para coisas interessantes e, principalmente, comprar este material. É muito importante frisar que, para se conhecer com intimidade a cena indie nacional, é preciso se tornar consumidor dela. Às vezes forçamos a barra (esse "Menina Infinito" de 2008 tá prestes a prescrever aqui, mas caiu no nosso colo!), mas faz parte da iconoclastia da Raio. Dito isso, seguem também os links para as outras sete Rapidinhas (para rememorar) (CIM):

Raio Laser's Comics' Quicky #01
Raio Laser's Comics' Quicky #02
Raio Laser's Comics' Quicky #03
Rapidinhas Raio Laser #04
Rapidinhas Raio Laser #05
Rapidinhas Raio Laser #06
Rapidinhas Raio Laser #07

E nosso endereço, caso você queira enviar seu material e aparecer aqui:

RAIO LASER

SQS 212 Bloco G Apto 501.
Brasília-DF
Brasil

CEP: 70275-070

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