por Ciro I. Marcondes

Em 1971, quando o revolucionário rockstar Marc Bolan lançou seu segundo disco sob a alcunha T.Rex – o imprescindível boogie pulsante de Electric Warrior –, um par de versos na primeira faixa “Mambo Sun” chamou a atenção dos fãs de quadrinhos: “Girl, you're good / And I've got wild knees - for you / On a mountain range / I'm Dr. Strange - for you”. A menção ao Doutor Estranho é completamente prosaica, é claro. Um subterfúgio para uma rima simpática. Mas não deixa de ser legal que um “cosmic dancer” como Bolan tenha se aproximado do “mestre das artes místicas” (ou, em outros casos, “mestre da magia negra”) para agitar um flerte descolado e chacoalhar nossos sentidos nesta histórica faixa de abertura. E ele chegou a entrevistar Stan Lee em 1975! Somente alguém muito alheio ao cânone visual e cultural do final dos 60’s e começo dos 70’s para não pensar que o glam rock – em todo o seu desbunde que une um psiquismo espacial/alienígena/psicodélico com diversos tipos de ambiguidade (no sexo, na filosofia, na moda) – tem realmente tudo a ver com o imaginário esotérico-kitsch (que parece baseado num clichê de teosofia) que Steve Ditko imprimiu nas histórias do Doutor Estranho.



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Por Márcio Jr e Marcos Maciel de Almeida

Parte 3 de nossa série de entrevistas com grandes personalidades presentes no FIQ 2018. Desta vez, com ninguém menos que Marcelo D’Salete. Não conhece ainda? Hmmm... Ainda dá tempo de correr contra o prejuízo.

Nascido em São Paulo, Marcelo D’Salete é um dos nomes de maior destaque no cenário quadrinístico brasileiro atual. Com forte pegada autoral e intenso engajamento em temas de cunho racial, os quadrinhos de Marcelo têm se destacado por abordar temas complexos da historiografia nacional – como a escravidão – pela perspectiva dos povos oprimidos. Dentre seus trabalhos de maior reconhecimento, incluem-se Cumbe (Veneta, 2014) e Angola Janga (Veneta, 2017). Em 2018, Cumbe foi indicada ao Prêmio Eisner (premiação máxima dos quadrinhos norte-americanos) na categoria melhor publicação estrangeira nos EUA. Tomara que ganhe. (MMA)

Raio Laser: Este é um grande momento do seu trabalho. Mas é aquele negócio: para fazer sucesso da noite para o dia leva pelo menos uns 15 anos... rs. Poderia traçar uma trajetória resumida de sua carreira?

Marcelo D’Salete: Eu comecei publicando quadrinhos, fazendo alguma coisa, no final dos anos 90 e começo de 2000. Meus primeiros trabalhos foram publicados na Quadreca (publicação acadêmica, surgida em 1977, sobre histórias em quadrinhos, publicada pela Editora-Laboratório Com-Arte, selo da Editora da Universidade de São Paulo) e na Front (publicação de quadrinhos contendo material exclusivamente nacional, lançada em 2001 pela Editora Via Lettera). Publiquei nuns 5 números da Front, de 2002 a 2006, e depois parti para fazer meus trabalhos solo. Primeiro veio Noite Luz (Via Lettera, 2008), depois Encruzilhada (Leya, 2011), Cumbe e Angola Janga. Nos primeiros trabalhos foi bem difícil, na verdade, de achar o público certo. Meus dois primeiros trabalhos eram para um público pertencente a uma galera que gostava muito de quadrinhos, que acabava conhecendo ali e tal. Tinha um retorno positivo de crítica, mas não financeiro. Depois, com meus dois trabalhos mais recentes, foi bem diferente. São quadrinhos que alcançaram um público para além do público leitor de quadrinhos – pessoas interessadas em outras áreas – e o público interessado especificamente em quadrinhos.
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Mais alguns dos bate-papos que tivemos no FIQ 2018, desta vez só com mulheres que fazem a diferença no mundo dos quadrinhos. 

por Marcos Maciel de Almeida 

Claudia Ahlering

Claudia Ahlering é desenhista de Ghetto Brother, escrita por seu compatriota alemão Julian Voloj. O quadrinho narra a trajetória de Benjy Melendez, líder de uma das maiores gangues do Bronx nos meados dos anos 70. A história de Benjy tem fortes conexões com aquela contada no melhor filme já feito pela humanidade, Warriors – Os Selvagens da Noite (1979), de Walter Hill. (MMA)
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por Marcos Maciel de Almeida

O FIQ 2018 foi bão demais, sô! Pelo menos foi o que deu para sentir após conversar com os participantes do evento. Organizadores, convidados, e expositores – principalmente eles – estavam com um sorriso estampado no rosto. Eu também não vou discordar. Foram cinco dias intensos, mas que valeram a pena. O clima de congraçamento estava disseminado e não se restringiu às paredes da Serraria Souza Pinto. Foram mais que comuns as esticadas ao Maletta – edifício tradicional no Centro de Belo Horizonte que congrega inúmeros botecos, sebos e restaurantes. Sempre equipados com suas indefectíveis mochilas recheadas de gibis, os participantes do FIQ embarcaram em altos papos noite adentro, sustentados por quantidades indecentes de cerveja e torresmo.

 
E a Raio Laser não ficou fora dessa, claro. Escalados por nosso chefe Ciro Inácio Marcondes, eu e meu melhor inimigo Márcio Jr mergulhamos em mais uma louca aventura. Tínhamos como compromisso cobrir o evento, tarefa na qual teríamos nos saído melhor se não fosse o cansaço e a ressaca. Se bem que o Márcio tem uma justificativa melhor que a minha. Ele era expositor na mesa 164, local em que, dentre outras maravilhas, vendia o quadrinho que escreveu: Cidade de Sangue, desenhado pelo mestre Julio Shimamoto e colorido pelo talentoso Tiago Holsi. O gibi é coisa fina. Capa dura, formato grande e precinho camarada. Mas bem, isso é papo para outra resenha. (Falando nisso, cadê minha cópia, Márcião?)
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