por Lima Neto

Algumas vezes é difícil entender a razão de sucesso de determinados títulos. Às vezes essa dificuldade simplesmente expõe um mal gosto generalizado disfarçado de estilo ou nostalgia. Em outros momentos, porém, como no caso do Quadrinho ArtOps, lançamento do selo Vertigo e publicado no Brasil pela Panini, a incongruência entre as indicações elogiosas e a qualidade do material descredita ainda mais o mercado dos comics norte-americanos. Mesmo assim, em sua narrativa desgastada e seu discurso rasteiro sobre arte, ArtOps acidentalmente levanta alguns questionamentos bem urgentes sobre arte e liberdade de expressão. O volume, que encaderna as primeiras cinco edições da revista norte-americana, tem o roteiro de Shaun Simon e conta com a arte sempre competente (embora um tanto sem inspiração na edição em questão) de Michael Allred auxiliado pelo traço de Matt Brundage e as cores da costumeira parceira e esposa de Allred, Laura.

O roteirista Shaun Simon faz parte de uma geração que foi diretamente afetada pelo desenvolvimento do quadrinho para “leitores maduros” nas grandes editoras estadunidenses, processo este que culminou na criação do selo Vertigo e que encontrou na editora Karen Berger sua ponta de lança. Não sem motivo, o direcionamento gráfico de seus títulos da DarkHorse - Neverboy e The Fabulous Lifes of the Killjoys - seguem muito próximos ao estilo visual do selo da DC. A própria DarkHorse abriu suas portas para a mentora editorial do “mature reader” e criou o Berger Books, selo de quadrinhos editados por Berger. Em seu primeiro trabalho para a Vertigo, entretanto, Simon desaponta com uma HQ recheada de anarquismo de boutique e um discurso superficial sobre Arte – teoricamente a matéria prima conceitual de seu roteiro - que envergonha até os recentes guardiões dos bons costumes que inflamam a discussão sobre censura na arte brasileira.
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Semana passada publicamos uma entrevista reveladora com Alexandre Callari e Daniel Lopes do excelente PIPOCA & NANQUIM (canal e site), revelando tudo sobre o empreendimento da nova editora. Nossa relação com o Pipoca é antiga, começamos em períodos muito próximos (desde 2011, creio). Eu e o Pedro Brandt chegamos publicar alguns textos da Raio por lá. Nossos caminhos acabaram se separando (a Raio continua... bem... do tamanho de um tamanduá mirim, e o Pipoca é um dos maiores sites de quadrinhos do Brasil), mas nunca deixamos de admirar o empenho, erudição e paixão pelos quadrinhos desses caras. Confesso que às vezes vemos os vídeos do P&N na TV e realmente comendo pipoca, e admiramos profundamente a iniciativa da editora. Isso significa que vamos apenas pagar pau acriticamente para os lançamentos? Obviamente que não. Isso aqui é Raio Laser. Os quadrinhos do P&N são realmente muito criteriosos e responsa, mas nosso olhar procura ser clínico. Dito isso, seguem cinco resenhas RL para os cinco quadrinhos lançados pela editora do P&N até agora. (CIM)

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por Pedro Brandt

Contabilizando a quantidade de conteúdo – textos e, especialmente, vídeos – do site/canal Pipoca & Nanquim, é perceptível uma dedicação exemplar ao projeto. O nível da qualidade textual e o gosto diferenciado nas escolhas dos assuntos abordados está a anos luz da média da internet brasileira – uma raridade, pode-se dizer. O carismático trio formado por Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes, ainda por cima, estreou em 2017 a editora Pipoca & Nanquim. Uma conquista não apenas deles, mas dos leitores brasileiros interessados em quadrinhos que fujam do convencional.

Com um fôlego impressionante, a jovem editora lançou, em seis meses, seis títulos de peso: Espadas & Bruxas, coletânea com trabalhos do espanhol Esteban Maroto; Cannon, obra do americano Wally Wood; Moby Dick, adaptação do clássico literário de Herman Melville assinada pelo francês Christophe Chabouté; Beasts of Burden – Rituais Animais, de Evan Dorkin e Jill Thompson; Um Pequeno Assassinato, de Alan Moore e Oscar Zárate e Conan, o Bárbaro, livro com contos de Robert E. Howard, criador do personagem, e ilustrações de Mark Schultz, Gary Gianni e capas de Frank Frazetta. É mole ou quer mais?! Sim, Pipoca & Nanquim, queremos mais, muito mais!


Por e-mail, Alexandre Callari e Daniel Lopes responderam (um pouco antes do anúncio do lançamento do livro de Conan) uma entrevista sobre o surgimento da editora. Que ela tenha uma vida longa e próspera! (PB)

PS: na semana que vem, a Raio Laser volta seu escrutínio às HQs lançadas pelo P&N.



Vocês três trabalham há alguns anos no meio editorial de histórias em quadrinhos. Quais os principais aprendizados – resumidamente falando – vocês adquiriram para montar a editora Pipoca & Nanquim?

Alexandre: Nós sonhamos em montar uma editora desde bem antes de sermos editores, quando o Pipoca ainda era um canal bem pequeno e nem sequer estava no Youtube. Foi ótimo que as tentativas anteriores não tenham dado certo, porque nós simplesmente não estávamos preparados. Foi só depois de anos trabalhando para a Panini/Mythos que aprendemos todo o funcionamento do processo editorial. Mesmo assim, quando começamos, tivemos de nos familiarizar com várias outras coisas que conhecíamos apenas marginalmente, como os processos de gráfica.

Daniel: Outra coisa bem importante foi ter um público no canal bem participativo, e que nos serve de termômetro para a escolha dos títulos. Às vezes algum comentário do tipo “Alguém precisava trazer o trabalho do Wally Wood por Brasil” já nos dá uma luz.

“Alguém precisava trazer o trabalho do Wally Wood por Brasil”

Aprender a como apresentar e vender um produto é um aprendizado constante, que anda lado a lado com o processo editorial: o livro precisa ser atrativo como objeto e ter um motivo (vamos dizer assim) para ser lançado.
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por Marco Antônio Collares

Todos nós sabemos o imenso sucesso do personagem Homem-Aranha da Marvel Comics e todos nós conhecemos alguns dos motivos desse sucesso perante o público como um todo. O que muitos dos fãs não percebem é o quanto esse sucesso relaciona-se a um dos mais renomados antagonistas do herói mascarado, o editor-chefe do jornal Clarim Diário, J.J. Jameson, que passa a maior parte de seu tempo tentando desmerecer o herói mascarado, evidenciando o que seria a verdadeira face do Homem-Aranha, não como o herói que procura afirmar em seus salvamentos do dia a dia, mas como um mero criminoso mascarado. Se o Abutre, o Dr. Octopus e o Duende Verde são ameaças físicas ao aracnídeo, o Clarim Diário é uma ameaça constante e simbólica, que exerce mais prejuízos à vida do herói aracnídeo do que todos os seus vilões reunidos. 
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