Nem eu nem os amigos que assinam os textos abaixo estaremos na CCXP 2018, super evento de cultura pop em São Paulo que, entre 6 e 9 de dezembro, recebe como convidados uma série de artistas, brasileiros e estrangeiros, para sessões de autógrafo, lançamentos, palestras, etc. e tal. Estivéssemos lá, o entusiasmo maior, com certeza, seria sobre a presença do desenhista americano John Romita Jr.

Falo por mim, mas sei que falo também pelos comparsas de Raio Laser, que Romitinha está em nossa lista de ilustradores de quadrinhos favoritos. Sendo assim, seria sensacional poder encontrá-lo e pegar um autógrafo (um sketch, quem sabe), fazer uma foto e trocar meia dúzia de palavras para agradecê-lo pelas milhares de páginas produzidas ao longo dessas décadas todas.

Justiceiro "parrudo" de JRJR
Mas, qual revista autografar? Uma edição de X-Men, em formatinho, de quando Romita Jr. fazia as histórias dos mutantes tendo Magneto como líder? Ou uma Super Aventuras Marvel, com alguma história do Demolidor escrita por Ann Nocenti? Ou a edição especial Grandes Heróis Marvel - n° 50 (também em formatinho), que compila “Justiceiro - O Homem da Máfia”, com a versão parrudíssima do personagem? Quem sabe então a minissérie Homem Sem Medo, em parceria com Frank Miller (e arte final do monstro Al Williamson)? Ou talvez a one-shot Corações Negros, estrelando Motoqueiro Fantasma, Wolverine & Justiceiro?

Opções não faltam. O filho do lendário John Romita produziu tanto material que muitas vezes é difícil lembrar de tudo. Além das mencionadas no parágrafo anterior, tem muitas HQs dele que me atraem mais pela arte do que pelas histórias, caso da mini em duas partes do Cable e da fase do Thor escrita por Dan Jurgens (na qual os desenhos de JRJR eram finalizado por computador, deixando um interessante efeito de lápis nas páginas).

Como não poderia deixar de ser, Romita Jr., prolífico como ele é, tem também muito material pouco inspirado, menos na construção de cenas e mais como narrador visual. Sua recente incursão pela DC Comics deixa isso claro. Mas essa “fadiga” não é de agora. Quem acompanha sua trajetória deve lembrar de quando (meados dos anos 90) ele começou a chamar a atenção pelo exagero, com personagens que pareciam compostos por vários blocos empilhados (usando ombreiras e cabelos mullets). Pior, desenhando sagas odiadas, como a do Aranha Escarlate. Fato que, nos últimos 25 anos, contam-se nos dedos seus trabalhos dignos de nota – Kick Ass e Eternos (com Neil Gaiman) seriam dois deles.

Nada disso realmente importa. Romitinha é um autêntico operário dos quadrinhos e folhear uma revista com seus desenhos, seja “das antigas” ou de agora, é muito melhor do que quase tudo disponível na prateleira de comics de uma banca de jornal.

Os textos que se seguem comentam um pouco de nossa admiração pelo trabalho do cara. A ideia inicial era produzirmos um top 3 “favoritas de JR JR”, além de apontar aquele que, em nossa opinião, era o pior quadrinho feito pelo desenhista. Acabou não rolando desse jeito, mas ficou – acredito – legal mesmo assim. Boa leitura!


ps: Ah, já sei qual revista eu pediria para John Romita Jr. autografar: alguma edição de Força Psi com histórias do Estigma (Star Brand), um favorito pessoal. (Pedro Brandt)

por Márcio Jr., Lima Neto, Marcos Maciel de Almeida e Ciro I. Marcondes
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