O nosso leitor e colaborador Pedro Ribeiro recebeu a missão de resenhar quatro gibis que recebemos por aqui e dar continuidade ao chamado "padrão Raio" de resenhas rapidinhas: avaliação honesta, não sem qualidade analítica, da nossa produção nacional (hoje com uma exceção estrangeira). Segue: (CIM)

por Pedro Ribeiro

Deus aos Domingos – Rafael Campos Rocha (Veneta, 2018): À primeira vista, esse gibi me agradou muito, pois possui capa bonita e acabamento gráfico muito atraente, muito melhor do que o formato gigante da obra anterior (Deus, Essa Gostosa, Quadrinhos na Cia., 2012). Não li as outras histórias da personagem mas sei que se tornou popular e polêmica por ser uma Deus mulher, negra e com apetite voraz por sexo. E como essa Deus é lasciva: a mente de Rafael é fértil e ele pira na narrativa, com ideias imprevisíveis, interessantes e sexuais. A história flui bem, ora com Deus se deslocando com seu marido na cidade de São Paulo, ora em outro planeta futurista com sua esposa, ora trepando gostoso com uma divindade em forma de coelho. Deus é onisciente, faz tudo ao mesmo tempo e tem muitas demandas. Mas se reserva a não querer trabalhar aos domingos. Em relação à aprovação da personagem pelo público leitor, devo dizer que o autor está se lixando, já que na introdução diz não se importar de maneira nenhuma (na verdade diz que nem consegue escutar) com críticas à sua obra. Embora eu não curta o tipo de desenho executado na HQ, cru e com acabamento simples (o autor dirá que é de propósito), e o excesso de críticas políticas em alguns momentos, a história me prendeu e eu não consegui parar de ler até chegar ao final.
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por Marcos Maciel de Almeida

Ano passado critiquei duramente – porque realmente não me agradou tanto – o Moby Dick do Christoph Chabouté. Recentemente a obra foi agraciada com os prêmios HQ Mix de Melhor Adaptação para os Quadrinhos e Melhor Edição Especial Estrangeira. Isso quer dizer que me arrependo do que falei antes? Nem de longe. Aqui na Raio Laser temos autonomia para falar bem e mal de todo mundo. Não queremos agradar ninguém. Só temos compromisso com a palavra sincera e com o leitor do nosso blog. Bem, talvez para me provocar, o pessoal da Raio me pediu para resenhar esse lançamento do Chabouté. Será que vou malhar o cara de novo?

Minha escolha da ocasião para ler o gibi não poderia ter sido mais apropriada. Sabe aquela quarta-feira em que você é obrigado a passar uma manhã interminável no Detran? É mais ou menos por aí. Passei umas quatro horas sentado num pedaço de madeira e aço, digo de metal e borracha, aguardando a minha vez. Mas felizmente eu tinha um gibi na mão, como sempre. 

Vários pedaços de metal e borracha vulcanizada
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