Nesta segunda-feira, Tex trocou a camisa amarela por uma preta. Zagor deixou a machadinha em casa. Dylan Dog, Martin Mystère e Julia Kendall tiveram que postergar suas investigações. Quando ficaram sabendo da notícia, Mister No e Nathan Never cancelaram as aventuras do dia. Em sinal de respeito, esses e tantos outros personagens pararam o que estavam fazendo para lamentar a morte do amigo Sergio Bonelli. O escritor e editor italiano morreu na manhã de hoje, em Monza, de razões ainda não divulgadas. Tinha 78 anos.

Estou longe de ser o maior conhecedor de Tex (criado pelo desenhista Aurelio Gallepini em parecia com Gian Luigi Bonelli, pai de Sergio) ou mesmo dos heróis citados no parágrafo anterior. Mas se me deparo com um gibi da Bonelli tenho certeza de que será uma leitura satisfatória. E isso só seria possível graças ao trabalho desenvolvido ao longo de décadas por Sergio na editora que leva seu sobrenome.

Em tempos em que o marketing ditas as regras do jogo e um personagem é morto em um dia para ser ressuscitado no outro, o respeito que Sergio Bonelli tinha por suas criações e seus leitores se torna ainda mais louvável. Em sinal de respeito, a Raio Laser tira o seu chapéu. (PB)



por Ciro I. Marcondes

Este artigo foi produzido para dois congressos pioneiros na tentativa de amadurecer os estudos universitários sobre histórias em quadrinhos no Brasil. O primeiro deles foi a II Jornada de Romances Gráficos, organizada pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, que rendeu debates amplos sobre a necessidade de se pensar os quadrinhos no Brasil, participações memoráveis de quadrinistas como Laerte e pesquisadores como Benjamin Picado e Elvira Vigna, além de um texto afetivo da Raio Laser. Os textos do congresso podem ser lidos aqui.

O segundo foram as 1as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas, em agosto na ECA-USP. De maior porte e maior diversidade temática (foram abordados aspectos múltiplos da história, da indústria, da tecnologia e da estética dos quadrinhos), este encontro foi fundamental para legitimar ainda mais esta opção de pesquisa, fazendo uma varredura espessa na maneira com que a pesquisa científica pode olhar para o fenômeno que são os quadrinhos.

Segue, então, meu artigo completo, publicado nos anais dos dois congressos, expandindo o que eu já havia anunciado em Raio Laser. Boa leitura e comentários são sempre bem-vindos.
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por Pedro Brandt

A colaboração de Mauricio de Sousa para os quadrinhos no Brasil tem vários méritos, mesmo que eu encontre muito mais motivos para criticar do que para elogiar sua atuação na área (escrevo sobre isso futuramente). Independente disso, Maurição sempre foi um grande homem de negócios. Ainda assim, acho que ele explorou muito pouco o potencial de seus personagens em outros produtos. Um exemplo: alguns aeroportos brasileiros têm lojas da Turma da Mônica, com roupas, cadernos, canecas, chaveiros, pôsteres, brinquedos e tantos outros itens com a estampa da turminha. Mas tente entrar nessas lojas e encontrar algo realmente interessante para comprar! A não ser que você busque um presente para uma criança pequena, sairá de lá com as mãos abanando. Para não ser injusto, lembro de algumas coisas (não verdade, não lembro exatamente o que) com desenhos dos personagens feitos pelo Nicolosi (o melhor desenhista que já passou pelos Estúdios Mauricio de Sousa). Isso eu achei até legal! Mas é pouco se você parar por cinco minutos e pensar no tanto de coisas legais que poderiam – e não são – feitas com todos esses personagens que o Brasil conhece e ama.

E se formos parar para pensar, os gibis da Mônica não são lidos apenas por crianças. Quantos adultos você já não viu lendo uma revistinha dessas no ônibus, na fila do banco, no consultório do dentista, no banheiro? Quantas e quantas vezes já não ouvi alguém dizendo, “não gosto de quadrinhos, mas leio Turma da Mônica até hoje”?
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por Pedro Brandt

Quem lê a Raio Laser, sabe que o nosso negócio são os “quadrinhos além”, em resumo, não queremos nos limitar ao esquemão dos quadrinhos mainstream. Para isso, é necessária toda uma dedicação, toda uma pesquisa para encontrar esses títulos que mais chamam a nossa atenção, que abastecem a fogueira da nossa paixão pelas HQs. Além de visitas a sebos, troca de ideias com amigos etc. e tal, tem um blog em especial que virou a minha Meca dos gibis, um espaço virtual que preciso visitar religiosamente todos os dias. Ali, achei quadrinhos que sempre quis ler, mas nunca tinha encontrado (em edição física ou virtual), outros que já li, mas são muito bem vindos em minha “coleção de scans” e, principalmente, quadrinhos que eu jamais saberia da existência não fosse pelo HQ Point.

Com um visual simples (quase um fanzine virtual), mas de fácil navegação e, o principal, democrático (todos os downloads são gratuitos), o blog é onde me abasteço. Confesso: às vezes a gula é maior do que a vontade de comer, e muitos arquivos esperam meses até serem conferidos. Coisas do nosso tempo – como essa nova possibilidade de poder ler, de graça, quadrinhos que, de outra forma, eu continuaria desconhecendo.

Se o HQ Point está certo em distribuir todo esse material gratuitamente, é motivo de um longo debate (e um muito pertinente nos dias de hoje). Acredito que o PC Castilho, editor do blog, tem uma postura muito correta com relação a isso, como ele mesmo comenta em uma das perguntas da entrevista a seguir. Acima de tudo, acho que o HQ Point presta um grande serviço aos leitores brasileiros de quadrinhos – e não deixa de ser curioso saber que os títulos mais baixados no blog não são quadrinhos, mas livros sobre ilustração.

Se tem um blog que complementa o que é a proposta da Raio, esse é o HQ Point. Se você não o conhece, recomendo uma visita longa e demorada. Boa leitura!
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