Aloha! Hoje estreamos nossa seção de colaborações externas a partir de um texto absolutamente simpático - uma crônica infame e autocrítica - de Leonardo Messias, que, além de ser amigo de longa data dos escribas da RAIO LASER, é também um nômade em escala global, tendo já morado em todos os continentes (menos África?) e acumulado experiências como produtor cultural, homem de mídias, professor de línguas, DJ, beatnick, filósofo eventual, desbravador de todos mundos. Sua crônica - do ponto de vista de fora desse mundo geek dos quadrinhos - nos ajuda a revalorizar o potencial cultural que nós (quadrinhófilos) temos em mãos. Caso você aí também queira colaborar com a RAIO LASER, aperta naquele botão ali em cima escrito "Contato", belezinha? (CIM)

por Leonardo Messias

Outro dia, enquanto passeava por Sydney, onde moro, a minha namorada me fez uma pergunta inesperada.

“Qual foi a coisa mais valiosa que você já roubou?”. Surpreso com o fato de alguém me botar contra a parede, indagando sobre meu passado enquanto me acusando de cleptômano, saí pela tangente, tropeçando pra mudar de assunto da melhor maneira possível, sem soar muitos alarmes. No entanto, o incidente grudou que nem chiclete na sola do sapato, e passei o resto da tarde a pensar sobre aquilo em segredo. 
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por Pedro Brandt

O paraibano Deodato Taumaturgo Borges Filho, ou Mike Deodato Jr., como os leitores de quadrinhos o conhecem, é um dos mais antigos desenhistas brasileiros trabalhando para a Marvel Comics. A editora americana lança no mês que vem um livro, The Marvel Art of Mike Deodato,com alguns dos melhores desenhos do artista. Conversamos com Deodato sobre o lançamento, sua rotina de trabalhos, influências e alguns outros assuntos. Confira abaixo.

Qual a sua participação na feitura do livro? Você deu sugestão para alguma coisa?
Muito pouca na verdade e achei melhor desta maneira. Se eu tivesse escolhido as peças a serem mostradas eu poderia estar sendo influenciado por motivos alheios à arte em si. Foi minha a decisão de fazer uma capa nova, ao invés de uma colagem com antigos desenhos. Tive a ingrata missão de escolher cerca de 25 capas para serem cortadas por falta de espaço. Contribuí também com uma longa entrevista e vários comentários e detalhes de bastidores espalhados pelo livro.
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por Pedro Brandt

A popularidade do personagem de história em quadrinhos Agente secreto X-9 no Brasil deixou pelo menos dois legados na cultura do país. Em 1944, foi fundada, em Santos (SP), uma escola de samba que leva o nome do herói. A agremiação inspirou o surgimento, em 1975, de uma outra escola com o mesmo nome na capital paulista. A alcunha também virou, especialmente, no Rio de Janeiro, sinônimo de alcaguete, delator.

Independentemente de seus significados mais conhecidos hoje em dia, X-9 sobreviveu na memória de gerações de leitores. Para os mais jovens, no entanto, ele permanece, quando muito, uma referência em enciclopédias sobre a história das HQs — afinal, há décadas o agente secreto não é publicado aqui. Quem é X-9? Qual é sua aparência? Por que ele foi tão popular? O sumiço do personagem do mercado editorial brasileiro dificulta as respostas.
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por Ciro I. Marcondes

BD (bedê) vem da designação francesa bande desinée (“banda desenhada”, como se diz em Portugal, ou simplesmente uma “tira desenhada”). Graças a um domínio bastante substancioso do quadrinho de língua francesa na produção europeia, é comum que praticamente toda produção do continente esteja relacionada ao universo das BDs. De uma forma metonímica, pode-se dizer que a HQ europeia, ou no mínimo a brilhante produção franco-belga, se identifica com as origens da BD. Isso não lima a importância de outras manifestações quadrinísticas da cultura europeia, como os fumetti (quadrinho de banca italiano), por exemplo, ou as origens do quadrinho de tabloide britânico, que se confude com as próprias origens das HQs. Além disso, estamos fazendo aqui um corte bastante específico, de BDs que se originam a partir de Tintim, assemelhados especialmente pelo traço, cartunesco, e por uma imersão inteligente no mundo adulto a partir de situações que fazem fronteira clara com o exagero, a fantasia, a história, a aventura, enfim, um universo próprio, fundamentado em narrativas simples, mas em geral elegantes e de plena consciência e domínio sobre as possibilidades expressivas dos quadrinhos. Os quadrinhos europeus são incrivelmente vastos e especializados, e se proliferam em culturas nas quais esta forma de expressão há muitas décadas deixou de ser um entretenimento infantil. Logicamente, a revolução que parte da revista Metal hurlant e todo um aprofundamento no campo da fantasia, erotismo e ficção científica merece um tópico à parte. Assim como o quadrinho experimental, o faroeste, as histórias de piratas, o noir europeu, entre tantos outros gêneros importantes.

1 - TINTIM (Tintin): Hergé

Por vezes, é comum que se façam ressalvas a Hergé (Rémi, Georges – RG) por conta de algum conteudo enviesadamente político ou colonialista – digamos, não antropologicamente correto segundo os padrões de hoje – em alguns de seus primeiros álbuns. Bem, temos de relativizar isso, logicamente. Hergé começou a escrever sua obra-prima Tintim ainda nos anos 20, quando a antropologia americana (de Ruth Benedict e Margaret Mead, mulheres formidáveis), essa que nos ensinou a relatividade cultural, estava ainda em seus passos iniciais. Fôssemos pensar assim, teríamos de proibir da leitura de autores como Herbert Spencer ou Monteiro Lobato.

A questão é que uma HQ como Tintim (tantan, na pronúncia francesa), que teve seu derradeiro álbum publicado em 1976, possui tantas qualidades gráficas, narrativas e temáticas que seria uma tolice falar sobre qualquer outra coisa neste momento. Atualmente, é comum que as pessoas tenham certa preguiça de ler Tintim, por mais que surjam novas e belas edições de seus álbuns. Isso se dá talvez por falta de uma leitura contextualizada e o entendimento de que esta é uma obra essencialmente da primeira metade do século. Aos olhos cínicos do leitor atual, Tintim é romântico, ingênuo, enfadonho, previsível.
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Por Ciro Inácio Marcondes

Este é o resumo expandido do meu trabalho aprovado para as primeiras Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, que ocorre na USP em agosto. Compartilho-o com vocês. O artigo fica pronto até o fim do mês, mas só poderei mostrá-lo depois das jornadas. (CIM).

A guerra em quadrinhos: três tempos, três autores, três visões (resumo expandido)

Nascidos, em seu formato de massas, junto com o próprio século XX, os quadrinhos estiveram no centro de importantes debates sobre as guerras, e esta é uma história desconhecida. Este estudo procura demonstrar que, mesmo durante a era clássica das HQs, existia uma preocupação reflexiva e humana, associada a projetos estéticos e linguagens personalizadas, sobre os efeitos socioculturais das guerras. Três diferentes guerras, autores e momentos históricos compõem este painel, relacionando-os intrinsecamente. Além da própria leitura analítica dos quadrinhos mencionados, será necessário nos apoiarmos na trajetória histórica do quadrinho americano clássico e da EC Comics (HADJU; WRIGHT); em uma fundamentação da estética narrativa dos quadrinhos (GROENSTEEN); e em uma historiografia dos quadrinhos argentinos (RAMOS) para, por fim, nos aprofundarmos em Joe Sacco com o estudo Alternative comics, an emerging literature (HATFIELD). 
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Por Pedro Brandt

Sempre tive uma grande curiosidade para conhecer melhor os quadrinhos argentinos. Um dos meus planos para quando fosse visitar o país era justamente comprar algumas obras interessantes produzidas pelos autores de lá. Eu sabia que tinha muita coisa boa, toda uma tradição e tal. Mas, sem tantas referências, eu teria que comprar meio no escuro, por instinto.

Por sorte, alguns meses antes de ir passar umas férias em Buenos Aires (em novembro de 2010) foi publicado o livro Bienvenido – Um passeio pelos quadrinhos argentinos, do jornalista Paulo Ramos, do Blog dos Quadrinhos.

Um livro rico em informação e com um apanhado de imagens que apresenta um panorama do melhor do quadrinho argentino. Uma produção vasta, riquíssima (com várias obras primas) e pouco conhecida pelos leitores brasileiros.

Recomendo o livro não só pelas dicas, mas pela pesquisa bem feita e embasada e pelo ótimo acabamento editorial da sempre competente Zarabatana Books. Além da história das HQs na Argentina, Bienvenido apresenta entrevista com Elsa Oesterheld, viúva de Héctor Germán Oesterheld, roteirista, um dos mestres do quadrinhos argentinos e desaparecido político da ditadura do país.

Entrevistei o Paulo por e-mail no ano passado. Abaixo seguem as respostas.

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Trajetória do colonialismo (Francisco Ibáñez, 1992): A HQ Mortadelo e Salaminho (Mortadelo y Filemón) data ainda dos anos 50 e consta entre as mais tradicionais espanholas. Seu modelo estilístico tem algo a ver com as BDs franco-belgas, mas consegue ser ainda mais histriônica e exagerada, com seus dois agentes secretos estúpidos, grosseiros e escandalosos. Nesta edição de 1992 que trata do racismo, o autor Francisco Ibáñez faz um hilário preâmbulo contando, de maneira mordaz e sarcástica, as trajetórias dos colonialismos e racismos no mundo. No último quadro da página anterior, Ibáñez colocava o colonizador europeu como apenas "meio" racista: com uma metade (os índios homens), era cruel e assassino. Com a outra metade (as índias mulheres), como podemos ver o primeiro quadro da página a seguir, já não era bem assim. Seguem então requadros com: a colonização americana, parodiando Hollywood; a Ku Klux Klan e o começo do Séc. XX nos EUA; as guerras do Coreia e do Vitenã (ressaltando a presença dos soldados negros); e por fim Hitler e os judeus. Tudo com humor aloprado, bizarramente beirando o politicamente incorreto. Adorável. (CIM)

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