A muda marcha ameboide de um exército albino (Biu e Shiko, 2006): o que mais impressiona neste improvável e imprevisível romance gráfico dos paraibanos Biu e Shiko é o teor da narrativa metamórfica e lisérgica que, aparentemente, não diz nada e diz tudo ao mesmo tempo. Atravessar esta HQ acaba dependendo de uns fatores que geralmente desprezamos: nosso estado de espírito, que tipo de estimulante consumimos, controle da impaciência, etc. Numa sintonia correta, as imagens inteiras e grafitadas de Shiko, com seus hipercloses e paralisias, abrem nossa passagem para insights e intrusões vigorosas, íntimas, sem ordem, num voo livre. Por estranho que pareça, esse avanço deliberadamente poético é raro em HQ. Eu poderia selecionar imagens eróticas incríveis, referências bem sacadas ou o apelo mezzo cyberpunk mezzo manguebeat da parada, mas fico com esta página em que um dos personagens defronta-se metafisicamente com o ato singular da queda progressiva e irregular do leite que escorre da caixa para a tigela, num imaginário baudelairiano. Potente. (CIM)


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2 comentários

esfolando disse... @ 6 de junho de 2011 14:08

Biu é doido!

Raio Laser - CIM disse... @ 8 de junho de 2011 00:50

Sabe como mandar o post pra ele?

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