RAIO LASER é uma publicação independente que busca uma abordagem séria e digna do valor de culto e valor artístico que as Histórias em Quadrinhos cultivam em leitores do mundo inteiro. Mesmo assim, não nos privamos de escrever com despretensão e com a urgência que a web requer. Nossos textos se focam, às vezes de maneira pura e às vezes mista, nas seguintes abordagens:


CULTO aos Quadrinhos: a leitura dos quadrinhos enquanto fã, colecionador, entusiasta. É comum que, na internet, este seja um dos únicos enfoques que se ressalte na escrita sobre as HQs, já que, investindo sua inteligência e vitalidade em uma arte marginalizada, o leitor precisa refugiar-se em pequenos guetos e microculturas para poder encontrar ressonância em seu objeto de entusiasmo. Respeitar, ampliar e transitar entre estas diferentes culturas faz parte do projeto RAIO LASER.

HISTÓRIA dos Quadrinhos: o resgate da vastíssima história mundial desta forma de arte é ainda um trabalho que vem sendo feito de maneira isolada e inconstante pela internet. Mesmo assim, na medida em que trabalhos acadêmicos e jornalísticos procuram sistematizar linhagens diversas de produção em HQ, produções perdidas no tempo e na geografia do mundo vêm à tona para mostrar que as interinfluências em HQ são muito mais imprecisas, indiretas fortuitas do que se pensa, tornando cada descoberta imprevisível e admirável. O mundo da arqueologia em HQ é um mundo de constante descoberta de obras-primas isoladas e perdidas.

CRÍTICA e TEORIA dos Quadrinhos: a resenha crítica, o comentário teórico, a apreciação impressionista ou pessoal, as abordagens inesperadas, as relações com outras formas de expressão, tudo cabe à reflexão provocada pela leitura de obras em Quadrinhos, e essas reverberações serão uma constante nas publicações do site. HQs de todos os tempos, todos os lugares, todos os gêneros, com o bom gosto sendo o único critério.

COBERTURA JORNALÍSTICA dos Quadrinhos: o ato de acompanhar os lançamentos, a pesquisa em publicações antigas, a entrevista, a busca por personagens que construíram a história ainda em construção desta forma de arte, tudo isso e mais compete ao trabalho jornalístico proposto pelo site.



SOCIALIZAÇÃO a partir dos Quadrinhos: enquanto objeto de interesse crescente de diversos grupos espalhados pela internet e outros meios, RAIO LASER também se propõe a ser um espaço de discussão, problematização, socialização e troca de informações sobre HQ. Assim, o microblogging, o post pessoal, o scan de páginas e fotos relacionados ao universo das HQs e outros estarão sempre presentes, com o site aberto a contribuições e todo tipo de interação.

POR QUÊ OS QUADRINHOS?


As histórias em quadrinhos são uma forma de arte e um meio de comunicação que já atravessam mais de um século em seu modelo popular. Suas origens enquanto cultura moderna remetem ao mesmo conjunto de fatores que levaram meios como o cinema, o rádio e o jornal a realizarem radicais transformações na percepção e relações sociais humanas. As histórias em quadrinhos fazem parte de um riquíssimo talento humano que se volta à expressividade abstrata, ambígua, imprecisa e ao mesmo tempo verdadeira e poderosa da imagem em si e de suas complexas relações quando sequenciadas e amplificadas pelo poder da sugestão e da capacidade humana de aferir sentido àquilo que não enxerga em termos de uma totalidade.


No Egito antigo, no império asteca, nas cavernas do neolítico: há, espalhada pela história da humanidade, registros da expressividade natural e inegável da narrativa gráfica. Imaginemos que nós não pensamos somente usando palavras, como normalmente nos indicam os filmes e a literatura, mas sim que nosso mundo interior é construído por relações sensitivas e sinestésicas entre a fantasia, uma miríade de imagens, lembranças, sensações, cheiros, percepções indizíveis... e palavras, é claro. As HQs, trazendo à tona parte da capacidade abstrativa que essas imagens produzem dentro de nós, são um dos meios mais confiáveis a respeito de nós mesmos, do mundo de imagens que criamos e também do mundo de imagens a que somos submetidos. O ser humano emergiu das arcaicas savanas africanas por aprimorar seu sentido da visão, o que permitiu centralizá-la e posteriormente legar o crescimento do cérebro, berço de nossa faculdade racional. Imagens e palavras: as histórias em quadrinhos lidam ao mesmo tempo com nosso universo incognoscível de imagens e com sua contraparte organizacional, a razão das palavras. As HQs são um meio contagiantemente humano.


No século XX, esse tipo de expressão alcançou antes inimaginável variabilidade, auxiliado pela industrialização da cultura e pelo aspecto popular (ou “pop”) que as HQs atingiram especialmente até os anos 60. Desde sempre, as HQs investiram em conteúdos irracionais, anárquicos, fantásticos, fantasiosos, caóticos, surreais, oníricos, profundos seja em sua essência pop ou em suas investidas enquanto arte do ser e da alma. Animais embrutecidos, crianças perversas, abordagens caricatas do cotidiano, alvorecer de superseres, narrativas longas e realistas, adensamento no conteúdo imagético, tudo foi – e é – possível aos quadrinhos. Sendo arte de execução fácil e barata, com infinitas capacidades recombinatórias e com uma admirável maleabilidade formal, as HQs pertencem a uma das mais férteis e ilimitadas culturas narrativas. Devido a uma sempre ignóbil associação ao mundo infantil (quando na verdade o que há de pueril nas HQs é a parte mais importante que esquecemos de nós mesmos), as HQs foram durante muito tempo negligenciadas, censuradas, observadas com desprezo ou excessiva cautela, fazendo com que sua cultura crescesse em ambientes não-naturais, cercados de imposições mercadológicas castradoras. Porém, uma progressiva abertura a partir dos anos 60 permitiu às HQs cada vez mais se manifestarem enquanto arte adulta e autônoma, retomando o potencial que avançadas civilizações antigas já haviam percebido. Isso permitiu que nos situemos, atualmente, em um empolgante alvorecer de uma era moderna nas HQs, quando a vanguarda e a liberdade de criação criam e prometem criar ainda mais obras de expressão máxima para a humanidade como um todo.

Por que os quadrinhos? Porque, em sua natureza ainda primitiva e essencial, são a arte mais importante para este século XXI.

7 comentários

Lady's disse... @ 21 de abril de 2011 11:54

Parabéns pelo site! Ficamos contente com a proposta de mostrar a história em quadrinhos de uma forma mais crítica com as abordagens descritas acima. Nós do ladyscomics desejamos vida longa e próspera! Grande Abraço! Mariamma, Samanta e Luciana.

Squee disse... @ 21 de abril de 2011 12:33

Valeu garotas! Vou colocar o site de vocês(ótimo) no nosso "recomendamos". Continuem acompanhando que vem muito mais coisas.

Abraço!

Matheus P disse... @ 20 de novembro de 2011 14:36

A descrição da proposta de vocês resume tudo que eu sempre quis fazer (e tentei, por vezes, num blog). Me identifiquei profundamente.

Raio Laser - CIM disse... @ 22 de novembro de 2011 12:06

Valeu Matheus! Se tiver material legal e quiser compartilhar por aqui, manda pra gente pelo "contato"!

Linck disse... @ 17 de julho de 2012 04:47

Amigos, parabéns pelo site. Bastante interessante e com uma proposta altamente necessária. Seguimos com uma filosofia semelhante no Quadrinhos na Sarjeta. Fica meu sincero convite para que apareçam por lá.

Abraço!

Raio Laser - CIM disse... @ 17 de julho de 2012 09:28

Prezado Linck,

Dei uma olhada no seu site e adorei os textos e a proposta, bem semelhante à nossa. Parabéns pelo ótimo e aparentemente inesgotável trabalho! Continue acessando a Raio Laser. É um prazer tê-lo como leitor, e sinta-se desde já convidado a colaborar.

CIM

Linck disse... @ 17 de julho de 2012 22:20

Obrigado Ciro, digo o mesmo! Abraço!

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