por Pedro Brandt

Macanudo, em espanhol, quer dizer supimpa, bacana. Ricardo Liniers, o cartunista argentino dono da tirinha de mesmo nome, é um cara pra lá de macanudo. Tive a oportunidade de perceber isso ao vivo, no mês passado, quando conheci o roteirista e desenhista em Brasília. Ele esteve na cidade para falar sobre seu trabalho em duas noites de palestra (29 e 30 de março) no Instituto Cervantes (que promoveu o evento).

Liniers, 37 anos, conquistou os espectadores com carisma e muito bom humor. No final do primeiro dia de palestra, me aproximei para pedir uns autógrafos. O ilustrador Fernando Lopes, meu colega de Correio Braziliense, perguntou se Liniers não teria interesse de fazer um passeio por Brasília na manhã seguinte, para conhecer alguns monumentos da cidade e visitar algumas exposições. Liniers aceitou no ato. Como eu não trabalharia na quarta de manhã, combinei de fazer o rolê com eles.




Passamos pelo Museu da República, Catedral, Esplanada dos Ministérios e Memorial JK. O argentino se impressionou com a arquitetura retro-futurista da capital brasileira. “O visual da cidade me lembra Sleeper”, ele comentou, em alusão ao filme de Woody Allen lançado em 1973 (O dorminhoco). Liniers é gente boníssima, daqueles caras com quem a conversa pode durar horas. Falamos especialmente sobre quadrinhos: autores brasileiros e argentinos, o mercado das HQs nos dois países, etc.

Depois do almoço, levei Liniers para a Cultura do Casa Park, onde cerca de 30 fãs já esperavam para conseguir desenhos, autógrafos e fazer fotos. Ele é o tipo de artista atencioso. Nas fotos, era só sorrisos. Mais do que simplesmente assinar os livros, fazia um desenho em cada um, um diferente do outro, sempre coloridos, caprichados.

Quem também estava na livraria na ocasião era o editor da Zarabatana, Cláudio Martini. Ele tem feito um trabalho elogiável, lançando títulos de qualidade autoral e com ótimo acabamento editorial. Além de Macanudo, a Zarabatana lançou recentemente outros dois materiais argentinos, a revista semestral Fierro Brasil (coletânea de histórias curtas de autores brasileiros e argentinos) e a Noturno, de Salvador Sanz, que está saindo pela Coleção Fierro.

Dois amigos que também estiveram nas palestra de Liniers comentaram a passagem dele por Brasília em seus blogs: o desenhista Caio Gomez e o desenhista/ roteirista/ roqueiro/ camelô Evandro “Esfolando” Viera. Depois da segunda noite de palestra (que eu não pude comparecer), os dois, mais alguns amigos, continuaram ciceroneando o cartunista argentino e o levaram para tomar umas cervas. Caio escreveu um breve relato do encontro. O Evandro foi mais longe, fez umas fotos e ainda uma HQ sobre o assunto. Liniers, cara macanudo que é, quando voltou para casa, agradeceu a recepção brasiliense com uma tirinha muito simpática sobre Brasília.

6 comentários

berna beat disse... @ 25 de abril de 2011 00:25

liniers é genio. maneiro, pedro.

esfolando disse... @ 25 de abril de 2011 00:30

Liniers é muito gente fina! Ele me presenteou com um livro gringo chamado OOPS!, que é uma parceria dele com o músico Kevin Johansen.

Anônimo disse... @ 25 de abril de 2011 15:25

Muito boa a fusão com o WA. Adorei. Ótimo texto, ótima história, "Pedro Brandt". De Taís M.

cabcharge disse... @ 31 de maio de 2011 19:46

Muito bom! Mais desenhos exclusivos de cartunistas aqui!! Levou ele na Dom Bosco ("a melhor concepcao de pizza do Planalto Central")?

Pedro Brandt disse... @ 2 de junho de 2011 15:34

Infelizmente, por falta de tempoo, não foi dessa vez que o Liniers provou desta inigualável iguaria candanga.

Cedric disse... @ 5 de setembro de 2013 01:52

Gorgeous!

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